Título: No fim, não vai dar em nada
Autor: Fabrini, Fábio
Fonte: O Globo, 26/02/2010, O País, p. 8
BELO HORIZONTE. Advogados dos réus dizem estar confiantes de que a pena, caso seus clientes sejam condenados, não será efetivamente aplicada, pois eles são primários e não devem receber a punição máxima.
¿ Essa ação penal está fadada à inutilidade, porque os fatos são de 1998, e a denúncia foi acolhida em 2010. No fim, não vai dar em nada.
Ela pode servir apenas para fins políticos ¿ disse ontem o criminalista Marcelo Leonardo, que defende Marcos Valério.
Baseados numa súmula do Superior Tribunal de Justiça (STJ), os advogados alegam que a Justiça Estadual não é competente para julgar o caso do mensalão mineiro e dizem que vão recorrer para tentar anular a abertura da ação penal. O inquérito que gerou a denúncia se desdobrou em outras duas ações que estão em tramitação na Justiça Federal. Elas tratam dos empréstimos feitos pelo Banco Rural.
¿ Compete à Justiça Federal o julgamento de crimes conexos. As ações tratam dos mesmos fatos ¿ justifica Marcelo Leonardo, que nega o esquema.
O advogado de Walfrido, Arnaldo Malheiros, disse que não teve acesso à decisão, mas que o processo mostrará a inocência do cliente: ¿ Ele é um Pilatos no credo, não tem nada com isso.
Responsável pela defesa de Ramon Hollerbach e Renato Caporali, Hermes Guerrero informou que a abertura da ação penal é apenas um ato protocolar, sem análise do mérito das acusações. Antônio Velloso Neto, advogado de Cláudio Mourão, se disse surpreso com a decisão, pois a 9ª Vara não é competente para julgar o caso. Os demais réus não foram localizados pelo GLOBO.