Título: Aproximação com o Brasil
Autor: Oliveira, Eliane; Alencastro, Catarina
Fonte: O Globo, 04/03/2010, O País, p. 16

Em São Paulo, Hillary defende direitos de afrobrasileiros e das mulheres

SÃO PAULO. Em encontro na Universidade Zumbi dos Palmares, ontem à noite em São Paulo, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, tratou de temas sociais polêmicos e defendeu igualdade de oportunidades, especialmente na educação.

- Sei que a população brasileira é composta por 50% de afrobrasileiros, mas só 2% dos estudantes na universidade são afrobrasileiros. Por isso, aqui, como nos Estados Unidos com a "Ação afirmativa" do governo Obama, precisamos expandir a base educacional para formar gente mais qualificada - disse Hillary para uma plateia de 800 alunos e convidados.

Ela também se mostrou favorável ao aborto. Disse que há hipocrisia na proibição da prática, já que mulheres ricas em todo o mundo interrompem a gravidez indesejada.

- As mulheres ricas têm esse direito em qualquer país e as mulheres pobres não têm. Em todos os países, a decisão é da população do próprio país, mas isso deve ser bem refletido porque tem a questão do número de filhos que as mulheres podem ter e sustentar, e há o ônus do abortos ilegais na saúde pública.

Descontraída, respondeu a perguntas de dezenas de alunos e professores da Fundação Zumbi dos Palmares, ONG que luta pelos direitos dos negros. A mediação foi feita pelos jornalistas William Waack e Maria Beltrão, da TV Globo.

Hillary elogiou o fato de duas mulheres disputarem a Presidência no Brasil:

- É sinal do avanço das mulheres, mas sei que ainda há muitas barreiras para elas. Temos ainda que lutar contra a violência contra a mulher e há muito trabalho a se fazer.

Também defendeu a ampliação na concessão de vistos para brasileiros visitarem ou trabalharem nos EUA. Ao responder se via os brasileiros como ameaça, foi enfática:

- Não! Vivo em Washington a seis casas da embaixada brasileira. Quero aproximar os dois países.