Título: Governo quer frear votações polêmicas
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Fonte: O Globo, 05/03/2010, O País, p. 16

BRASÍLIA. Depois de ser derrotado na votação da proposta que cria novas despesas para o Bolsa Família - com o benefício vinculado ao bom desempenho na escola - e no projeto que destina recursos do Fundo Social do pré-sal para recompor o valor das aposentadorias, o governo quer tentar barrar novas propostas polêmicas prontas para serem votadas na Câmara e no Senado. O governo sabe que, em ano eleitoral, aumenta o interesse dos parlamentares em aprovar propostas de apelo popular, mas nem sempre exequíveis.

Além de projetos e propostas de emendas constitucionais (PECs) favorecendo as mais diferentes categorias, o governo se prepara para enfrentar, a partir do dia 12, as votações de duas medidas provisórias: a de reajuste do salário mínimo e a de reajuste das aposentadorias com valores acima do mínimo.

Em outra frente, a líder do governo no Congresso, senadora Ideli Salvatti (PT-SC), também agiu para tentar barrar novas surpresas. Ontem, Ideli protocolou requerimento para que o projeto do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) sobre o Bolsa Família passe pelo plenário do Senado.

Na Câmara, na próxima semana, a primeira providência é tentar reverter a votação da última terça-feira à noite, quando os deputados, sob pressão da categoria, aprovaram o texto principal de uma PEC fixando um piso nacional provisório para policiais civis, policiais militares e bombeiros, nos valores de R$3,5 mil para soldados e R$7 mil para oficiais. Além disso, a PEC prevê a elaboração de uma lei criando um piso nacional definitivo, bem como um fundo da União para complementar o pagamento dos salários, quando os estados não tiverem condições financeiras de fazê-lo.