Título: Gasto das famílias cresce pelo 6º ano
Autor: Novo, Aguinaldo; Batista, Henrique Gomes
Fonte: O Globo, 12/03/2010, Economia, p. 26
Em 2010, juro maior deve inibir que brasileiros continuem comprando
Pela primeira vez, uma crise financeira global não afetou o apetitedos brasileiros de ir às compras. Em 2009, as famílias aumentaram seusgastos no varejo em 4,1% - um indicador que se repete positivo por seisanos consecutivos. O fôlego para gastar se explica pelo aumento damassa salarial (3,3%), pelas políticas de desoneração tributária e pelaexpansão nas operações de crédito (19,7%) em 2009. Para especialistas,contudo, 2010 não deve ser mais o ano do consumo: a política monetáriadeve subir os juros e, com isso, o crédito ao consumidor deveencarecer.
- O consumo das famílias voltou a patamares próximos de antes dacrise - resumiu Rebeca Palis, gerente de Contas Trimestrais do IBGE,acrescentando que esse consumo representa, em 2009, 62,8% do PIB, ante60,3% em 2008.
Na avaliação do economista Luis Otávio Leal, do banco ABC Brasil, ocomportamento do mercado interno garantiu que a queda do PIB não fossemais intensa. Para ele, as medidas de sustentação de renda do governo -como reajustes de Bolsa Família e de salário mínimo, acima da inflação- ajudaram a manter o setor de serviços, o que mais emprega, aquecido.O que acabou gerando um círculo virtuoso no mercado de trabalho,garantindo, como consequência, o consumo.
- Pela primeira vez, a crise não veio afetando a demanda - comentou Leal.
De acordo com os dados do IBGE, o consumo das famílias avançou 1,9%no quarto trimestre do ano passado, frente ao trimestre anterior.Cresceu, mas num ritmo menor do que o que se observou no terceirotrimestre (2,4%). Frente ao último trimestre de 2008, a expansão for de7,7%.
- O consumo deve continuar crescendo, porém a taxas decrescentes em2010 - previu José Francisco de Lima, economista do Banco Fator.
Leal acrescentou que, ao longo de 2010, o crédito deve encarecer e o consumidor poderá estar mais endividado:
- Ainda que o consumo das famílias cresça, deve ser num ritmo maisequilibrado do que o de 2009. Até porque o crédito, com a subida dosjuros, vai ficar mais caro. E precisamos entender como foram os gastosdesse ano: será que o consumidor antecipou a compra do carro ou dageladeira pensando no preço menor por causa da redução do IPI? Aindanão sabemos - disse Leal.
No meio da crise global, Igor Oliveira, de 22 anos, comprou, com aajuda da tia, seu primeiro carro - e zero. O que o atraiu a fazer oinvestimento foi a redução do IPI sobre automóveis, que trouxe um preçomelhor.
- Por causa do IPI reduzido, fiquei com uma melhor oportunidade decrédito - afirma, satisfeito, Oliveira - Estou feliz com a compra.