Título: Evitar queda maior do PIB custou R$280 bi
Autor: Beck, Martha
Fonte: O Globo, 12/03/2010, Economia, p. 30

A CONTA DA CRISE: Nas ações anticíclicas, BNDES foi capitalizado, bancos públicos deram crédito e governo cortou IPI

Reajustes do salário mínimo e de servidor também ajudaram a impulsionar o consumo, dizem especialistas

BRASÍLIA. A política anticíclica do governo para combater osefeitos da crise econômica mundial no país em 2009 somou quase R$280bilhões. Esse montante incluiu, por exemplo, R$100 bilhões paracapitalizar o BNDES, R$100 bilhões da liberação de compulsórios paraque os bancos pudessem emprestar dinheiro no mercado e R$25 bilhões emdesonerações tributárias, como a redução do Imposto sobre ProdutosIndustrializados (IPI) para veículos, eletrodomésticos da linha brancae materiais de construção.

Segundo técnicos do governo, essas ações permitiram que a atividadese recuperasse mais rapidamente - a economia voltou a crescer já nosegundo trimestre do ano - e evitaram que a queda de 0,2% no ProdutoInterno Bruto (PIB) fosse ainda maior.

Petrobras foi liberada de meta fiscal

Foram injetados também R$17 bilhões pelo reajuste do salário mínimoe R$29 bilhões relativos ao reajuste do funcionalismo público. Deacordo com os técnicos da área econômica, esses recursos estimularam oconsumo e ajudaram a reativar o mercado interno.

- O dinheiro que entrou em circulação no mercado ajudou a aumentaro consumo das pessoas, que puderam comprar bens como veículos eeletrodomésticos - disse um técnico do governo, lembrando que o consumodas famílias cresceu 7,7% no quarto trimestre do ano em relação ao anoanterior.

As ações anticíclicas também foram direcionadas a aumentar osinvestimentos públicos. A Petrobras, por exemplo, foi retirada docálculo da meta de superávit primário (economia de recursos do governopara o pagamento de juros da dívida pública). Sem ter que guardardinheiro para cumprir metas fiscais, a estatal teve liberados R$15bilhões para investimentos.

Além disso, o governo reduziu a meta de primário do ano de 3,3%para 2,5% do PIB. O esforço fiscal de estados e municípios, além dogoverno federal, caiu R$24 bilhões. Este ano, no entanto, o ministro daFazenda, Guido Mantega, já afirmou que os estímulos da políticaanticíclica já podem ser reduzidos. Ele já anunciou que as reduções deimpostos feitas e que acabam ao longo de 2010 não serão renovadas.

- A economia já está recuperada e com dinamismo forte - disse o ministro.