Título: Petrobras: capitalização será este ano
Autor: Novo, Aguinaldo
Fonte: O Globo, 25/03/2010, Economia, p. 22
Gabrielli garante que fará operação mesmo que Congresso não aprove a tempo
SÃO PAULO. A Petrobras terá de fazer este ano sua capitalização, com ou sem a ajuda do Congresso. Foi o que afirmou ontem o presidente da empresa, José Sergio Gabrielli. Em teleconferência para investidores e analistas de mercado, Gabrielli disse que a capitalização é fundamental para garantir a execução dos investimentos previstos para 2010 e para não estourar os limites de alavancagem fixados pelo Conselho de Administração da Petrobras.
Estamos trabalhando com a capitalização, sim, para 2010. Não pode deixar de ter capitalização neste ano. Se o Congresso não aprovar, vamos ter de encontrar outra alternativa afirmou ele.
As ações da Petrobras chegaram a subir ontem mais de 2%, mas reduziram o ganho ao longo do pregão. O papel preferencial (PN, sem direito a voto) avançou 0,75%, para R$ 36,09, enquanto o ordinário (ON, sem direito a voto) subiu 1% a R$ 40,30, terceira maior alta do Ibovespa.
Aprovado no início de março na Câmara, o projeto de capitalização ainda tem de passar pelo Senado antes da sanção do presidente Lula. Prevê que a União, dona de 32% do capital total da Petrobras, ceda à companhia direitos de exploração de áreas do pré-sal ainda não licitadas, até o limite de cinco bilhões de barris de petróleo.
Trabalhamos com um cenário de aprovação no primeiro semestre disse Gabrielli, para admitir na sequência: Evidentemente, que esses prazos são regulamentares, mas não são prazos que serão efetivamente cumpridos, em se tratando da lógica do processo político, que está fora do nosso controle.
Empresa faz aumento de capital de R$ 6,141 bilhões O novo plano de investimentos da Petrobras, ainda em fase de conclusão, prevê desembolsos entre US$ 200 bilhões e US$ 220 bilhões até 2014. Só para este ano, o valor chega a R$ 88,5 bilhões, o equivalente a US$ 49,1 bilhões pela cotação de fechamento do câmbio de ontem. Gabrielli frisou que esses investimentos têm de respeitar o teto de 35% de alavancagem líquida da empresa, limite aprovado na sexta-feira passada pelo Conselho de Administração.
Em uma simulação apresentada aos analistas, o executivo previu um aporte dos acionistas minoritários de US$ 15 bilhões a US$ 25 bilhões, o que levaria o índice de alavancagem para 32% e 27% das receitas, respectivamente.
Perguntado, Gabrielli não falou de forma direta sobre as alternativas para a capitalização, no caso de atraso no Congresso.
Mas disse que existe um frisson no mercado.
Vários investidores estão interessados disse ele.
Em comunicado enviado aos acionistas ontem, a Petrobras informou que fará um aumento de seu capital social em R$ 6,141 bilhões, para se adequar à legislação em vigor. O capital social da empresa está em R$ 78,966 bilhões, enquanto as reservas (de lucros, incentivos e lucros a realizar) ficaram acima disso, atingindo R$ 84,319 bilhões, o que é proibido por lei.