Título: Quem vai pagar minha multa?
Autor: Braga, Isabel
Fonte: O Globo, 26/03/2010, O País, p. 3

Antes da decisão do TSE, Lula ironizou punição imposta por ministro OSASCO (SP). Antes de ser punido novamente por propaganda antecipada em favor da petista Dilma Rousseff decisão tomada ontem à noite pelo plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) , o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ironizara, à tarde, a primeira multa imposta a ele este ano, por um ministro da corte, no valor de R$ 5 mil e pelo mesmo motivo. Na inauguração de um conjunto habitacional construído pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em Osasco (SP), Lula disse que não falaria o nome de uma pessoa (Dilma), mas incitou o público a gritar por ela.

Lula também afirmou que viajará o ano inteiro para inaugurar obras.

Estamos fazendo um processo de reparação. E tenho certeza que isso vai continuar. Não posso, já disse a vocês, citar nome, porque já fui multado pela Justiça Eleitoral em R$ 5 mil, porque eles disseram que falei o nome de uma pessoa. Então, para mim, não tem nome aqui disse Lula, logo após o discurso de Dilma.

Com a incitação, disfarçada de bronca por ter recebido a multa, o público começou a gritar: Dilma! Dilma!.

Lula então afirmou que não pagaria a multa de Osasco e disse ao público que mandaria a conta para as pessoas que gritavam o nome da ministra-candidata do PT à Presidência: Se for multado, vou trazer a conta para vocês. Quem é que vai pagar a minha multa? Levanta a mão aí, para saber se vocês vão pagar a multa. Eu vou cobrar, viu, Emídio? Eu vou cobrar disse o presidente, dirigindo-se ao prefeito de Osasco, Emídio de Souza.

O público então respondeu com as mãos erguidas, como se assumisse a dívida de uma eventual multa.

Lula avisou ao público, cerca de mil pessoas segundo a assessoria da Presidência, que voltará a Osasco para nova inauguração: Nós vamos voltar aqui, porque este ano é o ano que eu vou viajar o Brasil inteiro, para a gente inaugurar todas as coisas que nós estamos aprontando neste país afirmou: Hoje, posso dizer a vocês sem medo de errar: não existe uma cidade do Brasil que não tenha uma obra do governo federal.

(Tatiana Farah)