Título: Maluf é procurado em 181 países
Autor: Ribeiro, Marcelle
Fonte: O Globo, 20/03/2010, O País, p. 20
Interpol pede prisão do ex-prefeito por desvio de recursos
SÃO PAULO. O deputado federal Paulo Maluf (PP-SP) foi incluído nalista de procurados da Interpol, polícia internacional. A informaçãofoi divulgada ontem pelo Ministério Público de São Paulo. Com isso, oex-prefeito da capital paulista pode ser preso se entrar em um dos 181países membros da Interpol.
Essa decisão não pode, porém, ser cumprida no Brasil.
Nenhum brasileiro nato pode ser extraditado, segundo a legislação disse o promotor do Ministério Público de São Paulo Silvio Marques,acrescentando que as autoridades americanas não podem pedir para Malufficar preso no Brasil.
Maluf foi incluído na lista deprocurados, a chamada difusão vermelha, a pedido da Promotoria deNova York, nos Estados Unidos, após investigação conjunta de promotoresbrasileiros e americanos, iniciada no Brasil em 2001. Em 2007, aJustiça dos EUA determinou a prisão de Maluf pelos crimes deconspiração, auxílio na remessa de dinheiro ilegal para Nova York edesvio de dinheiro público. Flávio Maluf, filho do ex-prefeito, acusadopela Justiça americana pelos mesmos crimes e no mesmo processo, tambémaparece na lista de procurados no site da Interpol.
Paulo Malufé acusado de desviar recursos das obras da Avenida Água Espraiada eremetê-los para Nova York, e, em seguida para Suíça, Inglaterra e Ilhade Jersey, um paraíso fiscal. Depois, segundo o Ministério Público,parte do dinheiro foi investida na Eucatex, empresa do ex-prefeito.
Segundodenúncia do promotor americano Robert Morgenthau, Maluf teria enviado,de janeiro a agosto de 1998, US$ 11,68 milhões de fundos roubados parauma conta nos EUA, que teria servido de ponte para enviar o dinheiropara a Ilha de Jersey.
Enquanto ele não estava na lista da Interpol, podia ir para qualquer lugar. Agora, não disse Marques.
Segundo o promotor, Maluf não chegou a ser julgado nos Estados Unidos, pois o julgamento só pode acontecer na presença dele.
NoBrasil, o ex-prefeito ficou preso por 40 dias em 2005 e seus bens forambloqueados, mas a Justiça concedeu liberdade ao hoje deputado federal.Além disso, a Prefeitura de São Paulo conseguiu o bloqueio de US$ 22milhões na Ilha de Jersey, onde parte dos valores foi depositada.
Em nota, a assessoria do ex-prefeito disse que as acusações feitas são falsas.
Bastacomeçarem as movimentações eleitorais para que velhas e falsasacusações voltem a aparecer, divulgadas por setores do MinistérioPúblico de São Paulo, diz a nota.
Já o advogado de Maluf,Maurício Leite, afirmou, também em nota, que a inclusão do nome dodeputado é uma ilegalidade por parte da promotoria estadualnorte-americana que, segundo ele, afronta à soberania do Brasil e doCongresso Brasileiro. Para o advogado, seria o mesmo que um promotorbrasileiro enviasse à Interpol o nome de um parlamentar dos EUA,proibindo-o de viajar, sob pena de prisão.