Título: Na Tailândia, acuados, ministros fogem de helicóptero
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Fonte: O Globo, 08/04/2010, O Mundo, p. 34

Primeiro-ministro decreta estado de emergência após 'camisas vermelhas' invadirem o Parlamento em Bangcoc BANGCOC. No auge de quatro semanas de protestos exigindo a renúncia do governo e a convocação de novas eleições, manifestantes invadiram o Parlamento da Tailândia ontem, forçando ministros que estavam no prédio a fugirem de helicóptero. Em resposta, o primeiro-ministro Abhisit Vejjajiva declarou estado de emergência na capital, Bangcoc. Os camisas vermelhas, simpatizantes do antigo premier ¿ o deposto Thaksin Shinawatra ¿ saíram do Parlamento um pouco depois, mas cerca de 50 mil pessoas continuam no principal distrito comercial de Bangcoc desde sábado, desafiando as ordens de retirada de Vejjajiva. O estado de exceção, que dá ao Exército amplos poderes, permite às autoridades suspender liberdades civis e proibir concentrações públicas. ¿ Vamos declarar guerra ¿ disse à multidão Arisman Pongruangrong, um dos líderes dos manifestantes, convocando moradores de zonas rurais a se concentrarem diante das prefeituras. ¿ Não negociaremos mais. Os manifestantes querem realizar amanhã o maior de seus protestos. Mas, postos de controle militares nos arredores de Bangcoc pretendem evitar que entrem na capital. Numa base militar que também serve de refúgio, Abhisit prometeu que não usaria a força. Já o vice-primeiro-ministro Suthep Thaugsuban disse que enviaria soldados para áreas-chave. ¿ O objetivo do governo é ajudar para que a situação regresse à normalidade ¿ disse Suthep, após o caos de ontem. As cenas diante do Parlamento formaram o pior confronto desde que os protestos começaram, em 12 de março. Os manifestantes se concentraram diante dos portões externos, pressionando o cordão de isolamento formado pelo batalhão de choque. Quando alguns camisas vermelhas conseguiram abrir os portões, os policiais se dispersaram, e centenas de manifestantes entraram. Continuaram empurrando as forças de segurança até o lobby, mas se retiraram após 20 minutos, para se reagruparem na rua com armas e bombas de gás lacrimogêneo que dizem ter tirado dos policiais. Pouco antes, havia ocorrido uma reunião dos ministros, mas alguns deles, incluindo Abhisit, retiraram-se antes que os manifestantes entrassem. Outros, como Suthep, tiveram que escalar um muro e escapar num helicóptero militar. O governo conta com o apoio da monarquia e dos militares, e muitos acreditam que poderá sobreviver às manifestações, realizadas em sua maior parte por trabalhadores e membros da população rural. Mas, segundo uma fonte, o comandante do Exército, Anupong Paojinda, não vê justificativa para intervir, apesar da pressão de Abhisit para que imponha a lei.