Título: Medidas da violência
Autor: Vaz, Viviane
Fonte: Correio Braziliense, 11/06/2009, Mundo, p. 22
As origens do conflito entre o governo peruano e os indígenas remontam ao ano passado, quando o presidente Alan García promulgou decretos ¿ no marco do Tratado de Livre Comércio (TLC) com os Estados Unidos ¿ que regulamentam a exploração dos recursos florestais e hídricos na Amazônia peruana e permitem às empresas estrangeiras (entre elas, Repsol, Perenco e Petrobras) fazer prospecção de gás e petróleo em terras indígenas, sem consulta prévia às comunidades.
A legislação é considerada inconstitucional pelos indígenas, pois foi criada pelo Executivo sem negociar com as comunidades. Os protestos começaram em 9 de abril, quando os indígenas bloquearam vários cursos d¿água, inclusive o Rio Napo, usado por empresas no Amazonas para transportar bens de consumo e máquinas. Pistas de aterrissagem e estradas no centro e no norte do país também foram interditadas, além de estações de bombeamento de oleodutos do Amazonas à costa do país.
A região dos protestos fica próxima ao vale do Rio Huallaga, onde voltaram a crescer os cultivos da folha de coca, matéria-prima da cocaína. Nos anos 1980, a área cocaleira da Amazônia peruana foi uma das bases de operação da guerrilha maoísta Sendero Luminoso, que deu sinais de retorno à atividade nos últimos meses. No ano passado, o Peru cresceu 9,84%, e o governo argumenta que precisa dos decretos para cumprir os acordos com os EUA e atrair investimentos. (VV)