Título: PSB: Lula agiu com centralismo
Autor: Lima, Maria; Camarotti, Gerson
Fonte: O Globo, 20/04/2010, O País, p. 4

Líderes do partido reclamam da atuação do presidente em relação a Ciro

BRASÍLIA. Com críticas à atuação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao PT, dirigentes do PSB defenderam ontem que a reunião da Executiva Nacional, marcada para o próximo dia 27, defina de uma vez por todas se Ciro Gomes será ou não candidato à Presidência pela legenda. A indefinição, alegam, está prejudicando entendimentos e alianças do PSB nos estados. O vice-líder do governo na Câmara, Beto Albuquerque (PSB-RS), que defende a candidatura de Ciro mesmo diante das dificuldades, critica o comportamento do PT e de Lula.

¿ O tema (Ciro ser ou não candidato pelo PSB) chegou ao limite. Tem que haver decisão final.

O Lula fez um cerco ao PSB, o que lamento muito, evitando a possibilidade de atração de outros partidos. Agiu com centralismo ¿ disse Beto. ¿ Lula é o meu presidente, mas os olhos dele na eleição são os olhos do PT. Lula asfixiou o PSB.

O primeiro vice-presidente do PSB, Roberto Amaral, afirmou que a questão será definida pela Executiva no dia 27. Segundo ele, os militantes também cobram uma definição, como as regionais do partido, que negociam alianças nos estados: ¿ Tentamos ampliar as alianças (em torno da candidatura Ciro) e fomos vítimas de um processo, a pressão do PT sobre outros partidos. Agora temos que atender à cobrança (interna) e definir se vamos ter candidato ou não.

Mas o desabafo de Ciro com críticas à indefinição do PSB, em artigo escrito em seu blog semana passada, incomodou até seus apoiadores, líderes e dirigentes.

¿ A manifestação é legítima, fruto da incerteza. Mas há um grau de injustiça na nota: quem foi a estrela principal dos programas do PSB nos dois exibidos no ano passado e no deste ano? Programas feitos com grande sacrifício, custaram caro ¿ disse Beto Albuquerque.

Amaral também concorda e destaca que o partido não fez reunião alguma sem a presença de Ciro. Ele disse que ligou ontem e anteontem para Ciro, mas não conseguiu falar: ¿ Esse artigo criou um malestar inevitável, mas estamos em um processo de superação.

Concordo com a angústia do Ciro, mas o partido tem um ritmo diferente do ritmo do candidato.

São decisões que implicam na vida do partido. Onde não somos majoritários, tem problema.

Temos que pesar tudo isso.

Beto Albuquerque, que trabalha sua candidatura ao governo do Rio Grande do Sul, já havia agendado dois compromissos com Ciro no estado, nos dias 29 e 30. Desde a semana passada, tenta falar com Ciro, para acertar a ida dele, mas não conseguiu.

No sábado, militantes do PSB lançaram um movimento em defesa da candidatura. Segundo nota divulgada ontem, o movimento engloba representantes da juventude, mulheres, vereadores, dirigentes sindicais e do PSB de São Paulo, e integrantes do Núcleo de Formação Política da Fundação João Mangabeira no Estado de São Paulo.