Título: Serra e Dilma receosos com soltura de presos
Autor: Carvalho, Jailton de; Roxo, Sergio
Fonte: O Globo, 27/04/2010, O País, p. 10
Pré-candidatos à Presidência preferem não se comprometer com projeto do governo que pode liberar 80 mil
BRASÍLIA e SÃO PAULO. Tanto a pré-candidata petista Dilma Rousseff quanto o tucano José Serra mostraram preocupação ontem com a proposta do governo de instituir o monitoramento eletrônico de presos de baixa periculosidade e, com isso, reduzir a superlotação do sistema carcerário do país. Em São Paulo, entrevistado na TV Bandeirantes, Serra afirmou que só é favorável ao uso de tornozeleiras eletrônicas para controlar presos que já têm autorização para saídas temporárias da prisão ou estão no semiaberto.
O tucano disse que é contra utilizar a inovação para permitir que mais detentos sejam beneficiados com a liberdade.
¿ Tornozeleira não é para soltar mais. É para aqueles que já saem, que têm o semiaberto, terem tornozeleiras. Não sou a favor de soltar mais ¿ disse Serra, lembrando que o governo de São Paulo está fazendo licitação para contratar o serviço de monitoramento dos presos. O projeto, como revelou O GLOBO, poderia resultar na soltura de até 80 mil presos. Dilma escreveu sobre o assunto no Twitter. Negou que a proposta do governo preveja a liberação de presos. ¿Tive informações do M. Justiça de que, de maneira alguma, se pretende soltar 20% dos presos do país. Na verdade, o que se pretende é que presos que são soltos por decisão legal, e que, por exemplo, não retornam do fim de semana, sejam monitorados com pulseira eletrônica¿, escreveu Dilma. Em março, pouco antes de sair do governo, Dilma obteve informações sobre o assunto com o ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, que falou da situação dos presídios, comentou sobre a proposta da pulseirinha eletrônica e pediu aumento de verbas para a construção de centros de detenção provisória. Ontem, a pasta não recebeu novo pedido de informações de Dilma. Serra: bandido tem de ser enfrentado com dureza Em São Paulo, Serra disse ainda que a lei de progressão de penas ¿deve ser revista¿ no país. ¿ (Quem) mata numa briga comete um tipo de crime. Matar uma criança é outro. Acho que tem que diferenciar e rever toda essa estrutura (de penas). Sou a favor de respeitar os direitos humanos, mas bandido tem que ser enfrentado com dureza. O ex-governador de São Paulo aproveitou o programa para defender leis mais rigorosas para criminosos e prometeu criar o Ministério da Segurança Pública, caso seja eleito. ¿ As coisas da Justiça devem ficar no Ministério da Justiça. Já a repressão ao crime tem que ser num ministério especializado e organizar todo o trabalho de segurança no Brasil. A proposta do Depen prevê o monitoramento de presos provisórios cujos crimes não tenham posto em risco a integridade física ou a vida da vítima. Segundo o diretor do Depen, Airton Michels, o controle poderia ser estendido também a réus primários e de bom comportamento. Para Michels um contingente de 75 mil a 80 mil presos poderia ser alcançado pela medida