Título: Marcha da maconha reúne 2 mil em ipanema
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Fonte: O Globo, 02/05/2010, Rio, p. 32
Um jovem foi preso ao ser flagrado pichando um poste; ex-ministro Carlos Minc participou da manifestação
MANIFESTANTES OCUPAM a Avenida Vieira Souto, em Ipanema, para pedir a legalização da maconha: a marcha terminou no Arpoador
William Helal Filho
A Marcha da Maconha levou duas mil pessoas às ruas de Ipanema durante a tarde e o começo da noite de ontem. A manifestação começou por volta das 15h, no Jardim de Alah, reunindo 300 pessoas, mas logo o número de participantes aumentou. Pouco antes das 16h, quando a caminhada em direção ao Arpoador, pela Avenida Vieira Souto, foi iniciada, já havia mais de mil manifestantes. Um dos participantes da passeata foi preso pela polícia ao ser flagrado pichando um poste com palavras de ordem sobre a legalização da droga. Pouco antes, a polícia havia flagrado um outro pichador. No entanto, ele recebeu apenas uma advertência e teve seu material apreendido.
A manifestação contou com a presença do ex-ministro do Meio Ambiente e deputado estadual Carlos Minc, que defendeu a importância de se posicionar sobre o assunto.
¿ A sociedade é muito conservadora. Alguns deputados me massacraram no Congresso depois que participei da última marcha ¿ contou Minc. ¿ Mas a consciência está mudando. Oito ministros apoiam o movimento de legalização. Só que muita gente tem medo de receber um carimbo, de ficar estigmatizado.
De acordo com o deputado, é fundamental que se discuta a legalização do uso e da comercialização da maconha:
¿ Não estou aqui estimulando o tráfico, mas sou a favor de uma outra política para tratar desse assunto.
Um dos organizadores da passeata, o sociólogo Renato Cinco pediu diversas vezes que nenhum dos participantes fumasse durante o evento.
¿ Acho importante ninguém fumar. A gente está aqui para pedir uma mudança da lei e não para afrontar a sociedade ¿ explicou.
A passeata ganhou ainda mais participantes enquanto passava pelo Posto 9. Os organizadores do evento convocaram as pessoas que estavam na praia e muitas resolveram aderir.
Durante o caminho, foram distribuídas cerca de 600 máscaras estampadas com os rostos de pessoas famosas que apoiam o movimento pela liberação da maconha, como os cantores Marcelo D2 e Tico Santa Cruz. A máscara do jogador do Flamengo Adriano também foi vista entre os participantes, que estavam munidos de faixas, cartazes e alguns cigarros alegóricos gigantes. Alguns dos manifestantes também enrolaram a filipeta da marcha como se fosse um cigarro de maconha.
¿ Estou aqui porque acredito que a legalização é o melhor caminho para lidar com esse tema. Fuma quem quer. O álcool é uma droga ainda mais destrutiva e é vendido em tudo quanto é lugar ¿ argumentou o estudante Pedro Alvarez, de 22 anos.
Boa parte dos manifestantes estava na faixa dos 20 anos. Um dos pontos altos da marcha foi a chegada ao Arpoador, quando centenas de pessoas acenderam velas em homenagem às vítimas da violência urbana, às pessoas que morreram em consequência da proibição da maconha.