Título: No Senado, expectativa é de aprovar os 7,7%
Autor: Adriana Vasconcelos
Fonte: O Globo, 06/05/2010, O País, p. 9

Tucanos se dividem sobre efeitos na Previdência. Líder do governo acha inviável politicamente reduzir reajuste

BRASÍLIA. Diante da expectativa de o PSDB vencer as eleições presidenciais deste ano, os senadores tucanos estão divididos sobre o reajuste de 7,72% aprovado anteontem pela Câmara para aposentadorias acima do mínimo. O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) admitiu sua preocupação com o impacto produzido pelo novo reajuste e o fim do fator previdenciário: - Sou cauteloso quanto a isso. Precisamos tomar cuidado com essas bondades, e a Grécia é exemplo bom para isso. Antes de nos posicionarmos, defendo que a bancada faça uma discussão técnica sobre o assunto, pois a Previdência já tem um rombo enorme. O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) aposta na aprovação do reajuste e aproveita para provocar o presidente Lula, que está sendo aconselhado pela equipe econômica a vetar a proposta, o que poderá ter reflexos negativos na campanha de sua pré-candidata à Presidência, a petista Dilma Rousseff: - O Senado não deve alterar o texto aprovado pela Câmara. Já o presidente Lula, pressentindo uma derrota de sua candidata, pode ser que não vete o projeto. Apesar da aliança com os tucanos, o DEM não cogita a hipótese de negar apoio à proposta. - Vamos votar como votamos há três anos, ou seja, a favor. A base governista que tem de ser questionada por um eventual rombo nas contas da Previdência, pois representantes deles que propuseram isso - provocou o líder do DEM, senador José Agripino (RN). O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), adiantou que considera inviável politicamente reduzir os 7,72%. Quanto ao fim do fator previdenciário, Jucá disse que será preciso primeiro analisar se é constitucional regulamentar esse tema por MP, e destacou que sua aprovação deverá ser condicionada à fixação de limite de idade para as aposentadorias. A pressão é para que a matéria esteja na pauta do Senado na próxima semana: - O Senado votará os 7,72%. Dissemos desde o início. Politicamente não temos condição de votar índice menor. O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), considera difícil que o plenário altere o texto aprovado pela Câmara: - Estamos em ano eleitoral e dificilmente teremos o Senado modificando decisão da Câmara. Politicamente é muito difícil (a modificação). Há simpatia grande com os aposentados. O Senado já foi a favor do fim do fator previdenciário em 2008, ao aprovar projeto do senador Paulo Paim (PT-RS). O texto foi remetido para a Câmara, que até hoje não votou a proposta.