Título: Governo avalia situação de secretário sob suspeita
Autor: Gois, Chico de; Carvalho, Jailton de
Fonte: O Globo, 06/05/2010, O País, p. 13
Tuma Jr. teria envolvimento com o chinês Li Kwok Kwen, preso por contrabando e formação de quadrilha
BRASÍLIA. O ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, pediu ontem ao diretor da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa, informações adicionais sobre o suposto envolvimento do secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior, com o chinês Li Kwok Kwen, ou Paulo Li, preso por contrabando de telefones celulares falsificados e formação de quadrilha. O presidente Lula teria, ainda ontem à noite, uma conversa com Barreto para avaliar a situação de Tuma Júnior. Na Operação Wei Jin, ano passado, a PF interceptou diálogos e apreendeu e-mails em que Tuma encomenda a Li telefone celular, máquina fotográfica e até uma mala, como divulgou ontem o jornal "O Estado de S. Paulo". Tuma Júnior é, desde a semana passada, presidente do Conselho Nacional de Combate à Pirataria. À tarde, Lula não disse se vai ou não exonerar o secretário, filho do senador Romeu Tuma (PTB-SP). Para ele, deve-se esperar a conclusão da investigação: - Primeiro tem que esperar a investigação. Todo mundo sabe que o delegado Tuma Filho (Júnior) é um delegado muito experimentado na polícia brasileira. Se há uma denúncia contra ele, a única coisa que nós temos que fazer, antes de precipitar decisões, é investigar da forma mais democrática possível, dando a ele a oportunidade de se defender - disse Lula. Barreto conversou com Tuma Júnior e também com o diretor da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa. Depois, Barreto pediu informações do caso à PF. Ao longo da tarde, o secretário chegou a convocar entrevista coletiva para se defender, mas, duas horas depois, disse que nada poderia falar sobre o caso. Paulo Li foi assessor de Tuma Júnior quando este era deputado estadual, em São Paulo. - Não tive acesso a essa investigação. Não conheço o conteúdo dessa investigação, portanto é impossível falar sobre essa investigação - disse Tuma ao sair da sala de entrevista. A PF investigou o envolvimento de uma organização chefiada por Paulo Li com o contrabando de produtos chineses ano passado. Ao longo da investigação, os policiais interceptaram conversas e e-mails trocados entre Tuma Júnior e o suposto contrabandista. Nas conversas, Tuma fala sobre a compra de uma mala, um celular e uma máquina fotográfica. O secretário também passa informações a Li sobre processos de regularização de estrangeiros em tramitação no Ministério da Justiça. A partir do relatório da polícia, o procurador da República Marcos Corrêa denunciou Paulo Li e mais nove pessoas suspeitas de participar do contrabando de celulares falsificados. A Justiça aceitou a denúncia e Li está preso por contrabando e formação de quadrilha. Ainda em 2009, quando soube das investigações, Tuma Junior chegou a prestar depoimento à PF, mas foi excluído da denúncia. Para Corrêa, as informações levantadas pela PF não eram suficientes para incriminar o secretário. A carga contra Tuma Júnior estaria partindo da PF. Policiais entendem que os dados obtidos na operação seriam suficientes para comprometer o Tuma.