Título: Ministério diz que situação se normaliza durante esta semana
Autor: Freire, Flávio; Menezes, Maiá
Fonte: O Globo, 09/05/2010, O País, p. 3

Diretora do departamento de DST/Aids admite falhas na distribuição

A diretora do departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Mariângela Simão, reconhece os problemas na distribuição do Abacavir. O Ministério admite ainda atrasos ¿pontuais¿ na distribuição de outros dois antiretrovirais: o AZT e a Lamivudina. Uma nota técnica do Ministério, em dezembro do ano passado, informava sobre problemas na importação do Abacavir e recomendava a substituição assistida (sob orientação médica) dos remédios. Segundo Mariângela, os problemas começaram de fato em fevereiro, por conta de questões burocráticas: a fabricante indiana, que exporta o produto ao Brasil através do Unicef, precisou apresentar documentos novos à Anvisa.

O Ministério, no entanto, informa que o Abacavir chegou ao Brasil no dia 27 de abril. E que a distribuição para os estados como São Paulo e Rio começou a ser normalizada na última sexta-feira.

¿ Não vou minimizar o problema para o paciente individualmente, mas todos tiveram alternativa (de trocar o remédio). Não tem um único antiretroviral que não tenha efeito colateral ¿ diz Mariângela, que prevê para esta semana a normalização da distribuição.

Segundo a coordenadora, até o final de abril, 700, do total de 3.700 pacientes que usam o Abacavir, continuavam tomando o medicamento, muitos porque tinham o remédio guardado em casa. No caso do AZT, consumido por 118 mil pacientes, o problema se concentra na produção no laboratório da Farmanguinhos, que tem o maior volume de produção do medicamento ¿ produzido por cinco laboratórios.

¿ O ministro solicitou a compra de mais três meses de estoque regulador.

Teremos cobertura até junho de 2011 (do AZT) ¿ diz.

Em relação aos problemas na distribuição da Lamivudina, houve, segundo ela, atraso na assinatura de contratos com os laboratórios e nos cronogramas. Ao todo, 52 mil pacientes usam o medicamento ¿ um consumo médio mensal de 4,2 milhões.

No Rio, segundo ela, o principal problema é logístico, porque a maioria das unidades de saúde não é informatizada.

As reposições dos remédios são feitas de acordo com as informações recebidas pelo Ministério.

Diretor de Farmanguinhos, Hayne Felipe da Silva reconhece que ¿houve falta pontual de alguns medicamentos¿ a partir de janeiro deste ano.

¿ Tivemos problemas no processo de formulação dos remédios e com o revestimento dos comprimidos ¿ explica Hayne, que diz ter entregue para o Ministério, entre os dias 15 e 30 de abril, mais de 3 milhões de comprimidos de Lamivudina.