Título: Mantega: no Brasil, ninguém perdeu o sono
Autor: Bôas, Bruno Villas
Fonte: O Globo, 11/05/2010, Economia, p. 17

Ministro vê pouco impacto no país Regina Alvarez A equipe econômica viu com bons olhos o pacote de socorro aos países mais endividados da Europa. O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, chegou a afirmar que a crise na região pode ser boa para o Brasil, por reduzir o otimismo e evitar um superaquecimento na economia brasileira. Em evento sobre infraestrutura no Rio, promovido pelos jornais Valor Econômico e Financial Times, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que ninguém no Brasil perdeu o sono com a crise.

Em tom de brincadeira, se corrigiu: Aliás, só eu perdi o sono, porque os meus assessores ficavam me enviando notícias a todo momento disse, lembrando que o país está em melhor situação fiscal que a maior parte das nações europeias, mesmo com o déficit nominal do ano passado de 3,3% do PIB. Nem a Alemanha está assim, lá o déficit foi de uns 5% do PIB.

Mantega disse que o crescimento econômico do país não será afetado, mas reconheceu que a crise europeia pode atrasar a recuperação das exportações para 2012.

Segundo ele, os países europeus finalmente, neste fim de semana, resolveram botar a mão no bolso.

A União Europeia foi lenta na busca da solução, dormindo no ponto.

Coutinho, do BNDES, viu um lado positivo na crise: Uma crise europeia não terá efeito de reduzir investimentos.

Se terá um efeito, ela (a crise) terá um efeito eu diria até bom. Pode moderar um pouquinho o crescimento do Brasil. O problema da economia brasileira neste ano não é de pouco crescimento, é de crescimento demais.

Em Brasília, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse ontem que quem tirar investimentos do Brasil com medo da crise na zona do euro vai perder dinheiro. Ele considerou improvável a turbulência atingir o Brasil e afirmou que não teme uma fuga de capitais.

Vai tirar dinheiro para investir onde? Na Europa? Quem tirar dinheiro daqui provavelmente vai perder dinheiro.

O Brasil é um dos países que terá um dos melhores índices de crescimento este ano disse, na abertura do 2º Seminário Nacional de Orçamento Público.