Título: Plano vai acalmar mercados
Autor: Bôas, Bruno Villas
Fonte: O Globo, 11/05/2010, Economia, p. 17

O ex-ministro da Fazenda Delfim Netto avaliou ontem que o pacote de ajuda anunciado pelo Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional (FMI) é suficiente para acalmar os mercados, pelo menos a curto prazo.

Mesmo assim, pondera que o Brasil, como faz parte do mundo, deverá sofrer algum impacto.

Ele descartou, contudo, que isso chegue a afetar o crescimento da economia previsto para este ano (em torno de 6%).

Lino Rodrigues SÃO PAULO

O GLOBO: Como o senhor avalia o pacote de ajuda da Europa? DELFIM NETTO: Esse pacote de US$ 1 trilhão é a dívida dos países. Quer dizer, você faz um pacote desse tamanho e diz: vem que tem (dinheiro).

Esse dinheiro será suficiente para acalmar os mercados? DELFIM: Pelo menos a curto prazo, vai acalmar.

O Brasil pode sofrer efeitos negativos? DELFIM: Não creio que tenha um efeito importante. Mas o Brasil faz parte do mundo e alguma coisa deve acontecer. Basta ver o que aconteceu na quinta e sexta-feira passada com a Bolsa. Dizer que não afeta o Brasil, é um exagero.

Mas, quanto ao crescimento da economia brasileira, não creio que tenha alguma consequência mais séria.

A volatilidade na Bolsa e no câmbio vai continuar? DELFIM: É difícil dizer o que vai acontecer, mas a Bolsa já está se recuperando hoje (ontem).

O câmbio tem sido uma das grandes preocupações dos empresários.

O senhor acha que o próximo presidente terá que atacar essa questão? DELFIM: O problema todo está em saber qual é a taxa de juro real do Brasil. Nós não precisamos de uma taxa de juro real de 6% ao ano, que é o que está implícito no pensamento deles (técnicos do BC). Isso é um erro que vem se acumulando desde 1995. Isso não é a opção do Brasil, mas das pessoas que controlam a política monetária no país. Isso não é justificável. Enquanto a gente não chegar na taxa de juro real ideal de 3%, 4%, não adianta ficar brincando com o câmbio.

O relatório Focus, do Banco Central, voltou a mostrar preocupação com a inflação.

DELFIM: Acho que a inflação vai ficar entre 5% e 6% mesmo. Não é nada de excepcional, está dentro do intervalo previsto pelo governo.

O mercado acaba se corrigindo, porque haverá aumento da oferta. Não vejo nenhum problema fora do normal.