Título: Em 5 anos, rombo de R$ 60 bi com aumentos
Autor: Alvarez, Regina; Damé, Luiza
Fonte: O Globo, 11/05/2010, O País, p. 10
Em reunião com ministros,Lula diz que não dará reajustes este ano e recomenda corte de ponto de grevistas
O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, estimou ontem que a decisão da Câmara de reajustar em 7,7% as aposentadorias acima de um salário mínimo e acabar com o fator previdenciário terá, em cinco anos, um impacto de R$ 60 bilhões nas contas da Previdência.
Ele criticou o surto de votações no Congresso Nacional de projetos que não têm sustentabilidade fiscal, citando outras demandas por reajuste em tramitação no Legislativo.
E criticou também categorias do serviço público federal que entraram em greve mesmo tendo reajustes programados para julho, para tirar proveito do ano eleitoral. No caso dos aposentados, afirmou: Tivemos no Congresso um verdadeiro torneio para ver quem dava mais disse, na abertura do II Seminário Nacional de Orçamento Público. Se querem fazer essa bondade adicional, vamos estabelecer de onde vai sair o dinheiro para isso.
O ministro chamou de raciocínio perverso do Congresso a previsão de que todos esses problemas serão resolvidos depois da eleição. Afirmou que é preciso dizer ao povo como será resolvido, se por meio de uma reforma previdenciária ou com a elevação de impostos.
Segundos estimativas do ministro, o reajuste de 7,7% custará, nos próximos cinco anos, R$ 30 bilhões. E o fim do fator, R$ 30 bilhões no mesmo período. Dados do Ministério da Previdência indicam que o impacto do fim do fator previdenciário é de R$ 4 bilhões ao ano, mas, como o custo é progressivo, essa conta aumenta anualmente.
O ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, reforçou o discurso contra a gastança e disse que o governo vai trabalhar para reverter, no Senado, as duas medidas aprovadas na Câmara. O assunto foi tratado ontem na reunião de coordenação de governo, comandada pelo presidente Lula.
mdash; O presidente reafirmou a sua posição de que o governo não vai permitir que o clima eleitoral contamine a tranquilidade das contas públicas e o esforço pela responsabilidade fiscal.
Acreditamos que o Senado vá reverter aquilo que foi aprovado na Câmara disse Padilha.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse ontem, no Rio, que sua pasta vai encaminhar recomendação para que Lula vete o aumento para os aposentados: O aumento é bom para o aposentado, mas há limites, e o Congresso está extrapolando esses limites com essa proposta.
Lula, preocupado com a movimentação de setores do funcionalismo público federal, reuniu ontem à noite vários ministros para dizer que o governo não vai dar novos aumentos este ano e recomendou que os ministros e dirigentes não assumam compro missos com os servidores nem apoiem suas reivindicações.
Ministros, dirigentes de órgãos e presidente de autarquias não são sindicalistas e, portanto, não têm que ficar defendendo reivindicações de servidores.
Quem tem que fazer isso é o sindicato. A reunião foi para alinhar o governo: não criem expectativas nos servidores. Foi para dar ordem unida afirmou Paulo Bernardo, no fim da reunião, no Centro Cultural Banco do Brasil.
Lula manteve o discurso de que o governo não vai descuidar das contas públicas no ano eleitoral, e, segundo Paulo Bernardo, recomendou que, no caso de greve, seja cortado o ponto dos servidores.
Não vamos permitir irresponsabilidade na reta final. Ele não quer deixar problema de grande monta para o próximo governo e acha que não ganhamos nada se fizermos irresponsabilidade relatou o ministro.
Na reunião, o presidente citou a aprovação do reajuste das aposentadorias.
Ele falou dos aposentados para exemplificar pontos que devemos ter cuidado. Ele disse que temos um acordo (6,14%).
Se for votado o acordo, vai ser cumprido. Se não for, vamos ver o que fazer. Provavelmente, será vetado disse Bernardo.
COLABOROU: Cássia Almeida