Título: No Sul, Dilma afirma: Eu fiz este governo
Autor: Marchezan, Isabel
Fonte: O Globo, 12/05/2010, O País, p. 10
"Não tenho experiência eleitoral, e fico pensando se não é bom. Seria uma lufada de ar novo", diz a petista
RIO GRANDE (RS). Uma semana após a visita de seu principal adversário na disputa presidencial, José Serra (PSDB), que negocia o apoio do PMDB local, a pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, desembarcou no Rio Grande do Sul em campanha. Em visita à cidade de Rio Grande, ela afirmou que caberá aos eleitores decidir quem está mais identificado com os programas do governo Lula e quem está ligado a uma política de estagnação, desemprego e desigualdade. Dilma afirmou que esteve em cada programa do governo.
Deixo ao critério dos eleitores e da população fazer o balanço e ver quem tem mais proximidade com este governo, quem é mais identificado com a política de desenvolvimento, com distribuição de renda. E quem é mais identificado com uma política de estagnação, desemprego e desigualdade.
Aí não é uma questão que sou eu quem resolvo. Aposto na inteligência da população brasileira afirmou Dilma, após o seminário Rio Grande onde o Rio Grande renasce.
Em cada programa, tem minha participação Perguntada sobre a promessa de Serra de dar continuidade a programas do governo, como o Bolsa Família, Dilma respondeu: Não tenho que tratar dessa questão. Quem tem de provar que isso é possível é o candidato, não eu. O que posso dizer é outra coisa: eu fiz isso. Eu fiz este governo, eu participei dele 24 horas por dia, nos últimos sete anos e meio, e me afastei há um mês, mas eu quero dizer que em cada programa deste governo tem a minha participação.
Dilma disse não ter tido tempo para se encontrar com o précandidato do PMDB ao governo do Rio Grande do Sul, José Fogaça.
Já o provável coordenador da campanha de Fogaça ao governo, deputado federal Mendes Ribeiro Filho (PMDB-RS), contou que não houve tentativas para marcar uma conversa entre os pré-candidatos, até porque o peemedebista estava ontem no município de Venâncio Aires.
Semana passada, na passagem de Serra por Porto Alegre, Fogaça teve uma conversa de 40 minutos no aeroporto com o pré-candidato tucano. Deputados do PMDB gaúcho também se encontraram a portas fechadas com Serra e garantiram apoio à sua candidatura.
Estamos naquela fase de movimentação para as definições (de coligações). É muito precipitado se definir sobre como é que vai ser o futuro daqui a 15 dias. A tendência é que haja aliança com o PMDB. As demais definições, quem está cuidando disso é a coordenação da minha pré-candidatura e o PT nacionalmente afirmou Dilma, a respeito da coalizão peemedebista.
Após ressaltar a priorização da indústria naval no governo Lula, Dilma lembrou que, em 2002, a iniciativa foi criticada pela oposição. Questionada sobre a suposta falta de experiência, Dilma citou os cargos que já exerceu, como secretária de Minas, Energia e Comunicações do Rio Grande do Sul, ministra de Minas e Energia e chefe da Casa Civil no governo Lula.
Não tenho, entretanto, experiência eleitoral, e fico pensando se, às vezes, não é bom isso.
Seria uma lufada de ar novo, numa situação, vamos dizer, mais tradicional de fazer política disse, voltando a falar das críticas de Serra ao Banco Central na véspera: Do jeito como está, é muito bom o que está acontecendo.
O BC tem autonomia operacional.
Não é necessário a gente introduzir nenhuma modificação.
Não acho prudente mexer em time que está ganhando.