Título: CNBB defende condenação de padres pedófilos
Autor: Éboli, Evandro; Gois, Chico de
Fonte: O Globo, 13/05/2010, O País, p. 15
Assembleia da entidade aprova documento em que também admite a necessidade de reparação às vítimas do crime
BRASÍLIA. No documento "Carta dos Bispos aos Presbíteros", aprovado ontem na sua 48ª Assembleia Geral, em Brasília, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) defendeu a condenação judicial dos padres envolvidos em crimes de pedofilia e admitiu a necessidade de reparação às vítimas. A Igreja Católica classificou esses atos como comportamento abusivo. Os bispos trataram do assunto num parágrafo de sete linhas. A CNBB reconhece que as denúncias contra os padres pedófilos atingiram a credibilidade dos sacerdotes. "Com humildade, reconhecemos que estamos em tempo de purificação, recordando que, diante do pecado, nos são dados como remédios a conversão, o perdão, a reparação às vítimas; diante do crime, as penalidades da lei civil e canônica; e diante de patologias, adequadas terapias", diz o documento da CNBB. Para a entidade, o comportamento dos padres que abusaram sexualmente de crianças causa sofrimento e indignação, sentimentos que "invadiram o íntimo de muitos cristãos e das pessoas que amam a Justiça, a verdade e a coerência de vida".
Dom Hummes defende cartilha que oriente padres
Após encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o cardeal dom Cláudio Hummes, prefeito da Congregação para o Clero no Vaticano, comentou rapidamente ontem sobre a pedofilia no meio religioso. Ele defendeu a publicação de uma cartilha que oriente os padres e auxilie no combate dessa prática na Igreja Católica. Para Hummes, são delitos inaceitáveis. - É um problema grave, gravíssimo, intolerável. A Igreja, a meu ver, no momento está sendo aquela instituição no mundo que mais abertamente, e com maior rigor, está combatendo esse crime, esses delitos, que são inaceitáveis. Tanto assim que o papa já tem dito mais vezes que não há lugar no ministério sacerdotal para pedófilos. Isso ele tem dito, e eles têm de se retirar do ministério e terão de enfrentar os tribunais comuns. Tanto que ele disse que o perdão não exime da punição. Para o cardeal, a Igreja Católica está discutindo abertamente o tema.
CNBB também faz defesa do projeto Ficha Limpa
A CNBB aprovou também a "Declaração sobre o Momento Político Nacional", que defende uma profunda reforma política no país, faz uma defesa do projeto Ficha Limpa e recomenda aos fiéis uma reflexão sobre importância do voto ético. No texto da declaração, não há qualquer citação a partidos ou candidatos. "Incentivamos a que todos participem e expressem, através do voto ético, esclarecido e consciente, a sua cidadania nas próximas eleições, superando possíveis desencantos com a política, procurando eleger pessoas comprometidas com o respeito incondicional à família, à liberdade religiosa e à dignidade humana". Ainda que num trecho curto, o documento apontou críticas ao Programa Nacional de Direitos Humanos, com "distorções inaceitáveis presentes em alguns itens".