Título: Diante dos prefeitos, promessa de abrir o cofre
Autor: Camarotti, Gerson, Lima, Maria
Fonte: O Globo, 20/05/2010, O País, p. 10
Sabatinados, Dilma, Serra e Marina se comprometem com programas sociais e regulamentação da Emenda 29
BRASÍLIA. Se depender dos três pré-candidatos a presidente que lideram as pesquisas de intenção de voto, os municípios serão elevados ao sétimo céu a partir de 1ode janeiro de 2011. Sabatinados perante cerca de quatro mil prefeitos presentes à 13° Marcha em Defesa dos Municípios, realizada pela Confederação Nacional dos Municípios( CNM), José Serra (PSDB), Marina Silva (PV) e Dilma Rousseff (PT) se superaram nas promessas de melhorar repasses de verbas, aumentar o financiamento de programas sociais e regulamentar a chamada Emenda 29, que define o percentual de recursos de União, estados e municípios para a saúde. Os três não se encontraram, mas trocaram alfinetadas nas respostas sobre cada uma das nove perguntas enviadas previamente às assessorias. Por sorteio, Serra foi o primeiro; Marina, a segunda; e Dilma, a última. Serra começou dizendo à plateia que foi batizado como prefeito e passou a compreender os problemas dos municípios. Um dos temas mais delicados foi a pergunta sobre se apoiariam a recriação da Contribuição Social da Saúde. Todos disseram ser necessário discutir isso com reforma tributária. Não podemos, diante de cada problema que existe, dizer que vamos criar um imposto a mais disse Serra. Bombardeada nos últimos dias por sugerir a criação de novos tributos para compensar a perda de R$ 40 bilhões para a saúde com o fim da CPMF, Dilma foi cautelosa. Os novos recursos para a saúde vêm do aumento da arrecadação e remanejamento de gastos. Temos de melhorar a gestão e ampliar a cobertura da saúde disse Dilma, sem dizer se apoiava a recriação da CSS. Representantes da CNM queriam saber como os candidatos fariam para cumprir aumentos dados ao salário mínimo e pisos salariais para diversas categorias, sem ferir a LRF. Não sou contra criar pisos, como no caso do magistério. Se aprova, tem de ter recursos. Não adianta falar que vão compensar. A compensação é no dia de São Nunca e o município paga a conta disse Serra, lembrando que a LRF não valia para o governo federal, só para estados e municípios. Dilma disse que a fórmula nasceria do diálogo e defendeu os aumentos e os novos pisos. Segundo a CNM, só em saúde e educação o impacto dos novos gastos seria de R$ 49 bilhões para prefeituras. Estudo diz que a partir de 2016 seremos a quinta economia do mundo. Mas não podemos ser a quinta economia por causa do PIB, e sim pelo nível de vida da população. Estados, municípios e União terão que fazer um esforço para dar conta dessa questão disse Dilma. Na última pergunta, depois da censura ao vídeo que mostrava o calvário de prefeitos a para liberação de verbas em Brasília, Dilma prometeu: Essa época de pires na mão, temos que enterrar definitivamente. Com uma linguagem menos técnica, Marina falou de ética e valores, mas não a ética de ocasião das eleições. Se eleita, disse, convocará uma Constituinte para fazer reformas que nem tucanos nem petistas fizeram. Fazemos puxadinhos tributários e não encaramos o problema. Se fosse fácil, o sociólogo teria feito a reforma política. Se fosse fácil, o operário teria feito a reforma trabalhista. Nenhum dos dois fez. E não é por falta de apoio político alfinetou Marina. Marina também lançou farpas em direção à petista, classificada como uma grande gerente, e elogiou Lula e FH: O Brasil não precisa de gerentes. Precisa de um líder. Foi porque Lula é um líder que ele reduziu a pobreza. Foi porque Fernando Henrique é um líder que criou o Plano Real. Após a sabatina, os três deram entrevistas separadas. Serra assumiu um discurso mais ofensivo contra o governo, evidenciando já um reflexo das últimas pesquisas de intenção de votos. Criticou sua principal adversária e a política de juros do governo Lula. A saúde não voltou atrás, mas deixou de ser acelerada. No meu governo vamos ter um programa de aceleração é da saúde disse Serra, numa referência irônica ao PAC. Perguntado mais uma vez se acabaria com o Bolsa Família, Serra se irritou: Isso é mentira, vou fortalecer o Bolsa Família. Temos a maior taxa de juros do mundo, e o Bolsa Família representa menos de 1% do que é gasto com os juros nessa política defendida por pessoas desse governo. Dilma falou da nova multa aplicada a Lula pelo TSE. Se os advogados não acharem adequado, eles vão recorrer. Eu não discuto. A gente cumpre disse Dilma.