Título: Irã pode escapar de críticas em revisão do TNP
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Fonte: O Globo, 27/05/2010, O Mundo, p. 29
NOVA YORK.
O primeiro rascunho da declaração final da Conferência de Revisão do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP) cita nominalmente Israel, Índia e Paquistão, mas não menciona o Irã. Preparado pelo presidente da conferência, o embaixador filipino Libran Cabactulan, o documento foi submetido à avaliação final das 189 delegações presentes, ontem em plenário, na sede da ONU.
O texto exorta os três países com arsenal nuclear a assinar o TNP e assumir o compromisso de banir testes nucleares, ratificando o Tratado de Interdição Completa de Ensaios Nucleares (CTBT, na sigla em inglês).
Mas não denuncia Israel como ¿um país que secretamente possui armas atômicas¿, como queriam países árabes, nem faz referência ao Irã, pois a delegação do país ameaçou vetar o texto final, que deve ser aprovado por consenso até amanhã.
A retirada da menção ao Irã restringe o debate em torno de sanções ao programa nuclear do país no Conselho de Segurança da ONU e abre caminho para uma conferência específica sobre um Oriente Médio sem armas atômicas, com Israel e Irã.
Rússia, EUA, Reino Unido e França pediram a retirada de qualquer referência a prazos para o desarmamento nuclear e também recusam-se a assinar um compromisso de não modernizar o arsenal atômico existente. Enquanto isto, a China aceita apenas o compromisso de não realizar ataques nucleares a países sem armas atômicas. De consenso entre as potencias nucleares, apenas o argumento de que países desnuclearizados devem ¿criar as condições para o fins dos arsenais atômicos¿, permitindo ampla fiscalização de seus programas nucleares.
Já o Reino Unido ontem revelou pela primeira vez seu arsenal nuclear, comprometendo-se ainda a limitá-lo ao tamanho atual: 225 ogivas. O país diz que a medida visa a criar um clima de confiança que contribua para a redução do arsenal nuclear mundial.