Título: Mal de parkinson, fator positivo nas pesquisas
Autor: Costa, Mariana Timóteo da
Fonte: O Globo, 27/05/2010, O Mundo, p. 31
Anúncio de doença sem cura reforçou popularidade do candidato Antanas Mockus
CARACAS. No início de abril, enquanto passava pela primeira vez a candidata do Partido Conservador, Noemí Sanín, nas pesquisas de intenção de voto para a Presidência da Colômbia, Antanas Mockus declarou ser vítima do Mal de Parkinson, doença neurodegenerativa que afeta os movimentos. Políticos e analistas, na época, chegaram a afirmar que a admissão pública da doença representaria a morte de sua campanha. Mas ocorreu o contrário: desde então, o candidato do Partido Verde não só deixou Sanín, hoje com 9% das intenções de voto, para trás como encostou no governista Juan Manuel Santos, o líder das pesquisas, com 34%.
¿ Acho que o povo colombiano apreciou minha honestidade ¿ declara Mockus, explicando que preferiu divulgar a doença a deixar que seus adversários o fizessem e a ¿usassem contra¿ ele.
Segundo Mockus, de 58 anos, o mal foi diagnosticado no fim de março, está em seu estágio inicial e, graças a medicamentos, sob controle.
¿ Ainda me restam 12 anos de vida normal ¿ declarou ele, que costuma falar abertamente sobre o tema. ¿ Não quero fazer disso um drama.
Uma de suas eleitoras, a dona de casa Amparo Silva, de 50 anos, conta que passou a confiar mais em Mockus por causa disso:
¿ Afinal, ninguém está livre de ter qualquer doença. Voto nele por isso, fico com a sensação de que não esconde nada de ninguém . Ele vai poder governar quatro, ou até oito anos sem problemas ¿ elogia.
Para o cientista político Álvaro Jimenez, a partir do momento em que Mockus fala abertamente sobre seu mal, este ¿deixa de ser um tema de campanha¿.
Filósofo, Mockus conta que o diagnóstico da doença incurável o fez ter mais ¿consciência de sua finitude¿.
E, falando em filosofia, ontem Mockus voltou a ficar com os olhos cheios d´água ao contar que recebeu uma carta de apoio a sua candidatura assinada pelo filósofo alemão Jürgen Habermas, um de seus ídolos e constantemente citado por ele em discursos e entrevistas.
¿ Foi com Habermas que aprendi a confiar no fato de que qualquer pessoa pode falar tudo o que desejar. Para mim, isso implica confiar muito na boa fé da humanidade ¿ afirmou o candidato. ¿ Como Habermas, sou um otimista. (M.T.C.)