Título: Imposto, a chave das eleições na Colômbia
Autor: Costa, Mariana Timóteo da
Fonte: O Globo, 27/05/2010, O Mundo, p. 31

Entre as propostas dos principais candidatos à Presidência, economia se destaca como maior divergência

OS CANDIDATOS à Presidência German Vargas Lleras (esquerda), Santos, Gustavo Petro, Mockus, e Noemi Sanin: último debate antes do pleito

BOGOTÁ. Na reta final da campanha presidencial colombiana, os eleitores estão cada vez mais certos de que a economia, mais do que a segurança, representa o maior ponto de divergência entre as propostas dos dois aspirantes com mais chance de chegar à Casa de Nariño: o governista Juan Manuel Santos, e o candidato do Partido Verde, Antanas Mockus. Durante o último debate, na noite de terça-feira, eles demonstraram saber que é o bolso, e não a guerra, o que mais preocupa o povo.

A Colômbia está saindo de uma recessão, mas o déficit fiscal está alto, e as taxas de desigualdade social e desemprego (12,5%) estão entre as mais elevadas da região. As opiniões, no entanto, não poderiam ser mais divergentes. Enquanto Mockus apresenta uma polêmica proposta de aumentar os impostos, Santos afirma que uma reforma tributária ¿mataria a classe média e desaceleraria o crescimento¿.

¿ Impostos mais altos tornam o país mais instável e afastam os investidores. O que temos é que manter o crescimento, criando 2,5 milhões de novos empregos, reduzindo a informalidade, acelerando a produção industrial, e investindo em infraestrutura ¿ disse Santos, ex-ministro da Fazenda da Colômbia. ¿ Eu posso ser até previsível. Mas comigo o povo sabe que poderá dormir tranquilo.

O candidato do Partido da U salientou que o principal desafio de um eventual governo seu será tirar sete milhões de colombianos da pobreza e quatro milhões da indigência.

¿ Os impostos viraram um grande tema de campanha. Para grande parte dos investidores, a estratégia de Santos é melhor e mais segura. Mockus quer arrecadar mais para poder gastar mais, ideia que para muitos é ultrapassada ¿ acredita Miguel Posada Samper, presidente da organização Verdad Colombia.

Ontem, durante um encontro com jornalistas estrangeiros, Mockus e seus aliados Enrique Peñalosa e Luís Eduardo Garzón voltaram a defender o aumento dos impostos.

¿ O investidor ouve que um país com impostos mais altos é pior. Mas acho que vamos atrair mais gente se tivermos mais estradas, mais ciência, mais tecnologia e, principalmente, uma sociedade mais harmônica ¿ disse o candidato.

Lula, Chávez e Uribe esquentam debate

Durante o debate da véspera, ele foi questionado sobre as relações com a Venezuela. Por conta das divergências entre Álvaro Uribe e Hugo Chávez, as vendas de produtos colombianos para Caracas caíram em mais de 70% de um ano para cá ¿ o que piorou a questão do desemprego no país. Indagado se, uma vez presidente, vai procurar o Brasil para tentar mediar uma reconciliação com Chávez, Mockus respondeu:

¿ Por que a figura de Chávez deve ser preponderante na América Latina? Nossa relação com Lula deve ser uma coisa; e a com Chávez, outra. Tenho uma opinião muito boa sobre Lula e o Brasil, e creio que possa restabelecer um diálogo com Chávez.

Sobre políticas de integração da Colômbia com o resto da região, Mockus e Santos mostram compartilhar mais semelhanças: assim como Uribe e seu candidato à sucessão, o do Partido Verde ressaltou ser prioritária a manutenção da proximidade com os EUA, ¿por uma questão de afeto, sem falar que eles são nosso principais parceiros comerciais¿ (com exportações na casa de US$12 bilhões).