Título: FMI: Não vemos tensão do lado fiscal
Autor: Beck, Martha
Fonte: O Globo, 27/05/2010, Economia, p. 24
Diretor-gerente diz que política econômica brasileira é exemplo
BRASÍLIA. O diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique StraussKahn, afirmou ontem após reunião com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, que o governo brasileiro adotou a política fiscal adequada para lidar com os efeitos da crise mundial e que não vê tensão nas contas públicas nacionais. Elogiando a política econômica, o francês disse que o modelo do Brasil deveria ser seguido por outros países.
No fim da tarde, após encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, StraussKahn disse ainda que Lula, com sua experiência política, seu carisma e a autoridade conferida pela realmente boa situação da economia brasileira, será fundamental no trabalho de convencimento dos líderes do G-20 (grupo das 20 nações de maior peso econômico) sobre a importância de haver um gerenciamento coordenado e global da política econômica internacional.
O Brasil está indo melhor que muitos outros países. O alto nível de crescimento atual está ocorrendo combinado com uma redução da dívida pública e com inflação baixa. É isso que eu gostaria de ver em outros lugares disse Strauss-Kahn.
Segundo ele, ainda não há superaquecimento da economia brasileira, mas o governo deve ser cauteloso na hora de administrar o forte crescimento atual. Mantega fez coro, afirmando que o Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos pelo país) deve subir entre 2% e 2,5% no primeiro trimestre, mas que esse ritmo deve cair nos próximos meses.
Nos próximos trimestres veremos o resultado do fim dos incentivos fiscais e a economia vai crescer menos. Ela caminha para um resultado sustentável, entre 5,5% e 6% em 2010 disse o ministro, acrescentando que a inflação já dá sinais de arrefecimento.
Ao ser perguntado sobre as críticas de analistas em relação ao aumento dos gastos públicos, o diretor-gerente do FMI afirmou: Não vemos tensão vindo do lado fiscal.
A reunião com Lula foi centrada na política do G-20, cujos ministros de Finanças se encontrarão semana que vem, em preparação para o evento presidencial do fim de junho, em Toronto. Strauss-Kahn disse ser importante que a união demonstrada pelas lideranças durante o abalo global não se desfaça.
O ministro Mantega avaliou que a atual crise, na Europa, deve ter pouco efeito sobre a economia brasileira: Para o Brasil, as consequências são pequenas.
Pode haver uma queda no fluxo de capitais. Isso reflete um pânico de curto prazo.
Mas quando os ajustes adotados pelos países tiverem efeito, o quadro vai ficar melhor