Título: Sindicalistas em campanha
Autor: Suwwan, Leila
Fonte: O Globo, 02/06/2010, O País, p. 3
Evento das centrais, que custou R$ 800 mil, reúne mais de 20 mil pessoas
SÃO PAULO
Com o lema da luta ¿contra o retrocesso¿ nas eleições deste ano, as centrais sindicais realizaram ontem, no Estádio do Pacaembu, seu primeiro ato político unificado e pregaram ampla mobilização dos trabalhadores em outubro pela continuidade do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Apesar da cautela dos principais líderes, sindicalistas e políticos citaram o nome da pré-candidata petista à Presidência, Dilma Rousseff.
Ao custo de R$ 800 mil, dos quais R$ 135 mil para o aluguel do estádio e outros R$ 35 mil para a companhia de trânsito coordenar o tráfego na região do Pacaembu, as centrais sindicais CUT, Força Sindical, CGTB, CTB e Nova Central reuniram cerca de 23 mil pessoas, segundo registro das catracas, e aprovaram, por aclamação, um manifesto político e uma agenda com cerca de 250 propostas para o próximo governo. A Conclat (Conferência Nacional da Classe Trabalhadora) tem sigla homônima ao congresso intersindical realizado em 1981, no qual não houve acordo para uma proposta única.
Desta vez, apenas a UGT não participou, por divergências sobre os objetivos eleitoreiros do encontro.
¿ Temos que dizer aos trabalhadores que o projeto do presidente Lula tem que continuar. Porque esse é o projeto que deu certo, voltado ao social, aos pobres, ao povo brasileiro.
Mas, para não ser tachado de fazer campanha aqui hoje, quero cantar o Hino ¿ disse o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força, que, em eventos recentes, fez ataques ao tucano José Serra.
Em seguida, o presidente nacional da CUT, Artur Henrique, emplacou o que foi uma espécie de ¿bordão¿ do encontro: a união contra o ¿retrocesso¿: ¿ Com certeza o maior desafio, a maior responsabilidade é não permitir o retrocesso, não permitir que tenhamos, no nosso país, a volta daqueles que foram os responsáveis pela crise, daqueles que implementaram as políticas neoliberais na década de 1990. Temos que, em alto e bom som, impedir o retrocesso.
Líder sindical do PMDB cita Dilma
Os presidentes da CTB (Central dos Trabalhadores do Brasil), Wagner Gomes, e da CGTB (Central Geral dos Trabalhadores do Brasil), Antonio Neto, também fizeram campanha contra o retrocesso.
¿ Este é o ano do grande embate.
É responsabilidade dos sindicalistas dar um basta nesse atraso que tenta ressurgir ¿ disse Neto.
¿ Derrotamos o neoliberalismo em 2002 e outra vez em 2006. Vamos impor uma nova derrota em outubro, barrando a possibilidade de retrocesso ¿ afirmou Gomes.
Para evitar a configuração de campanha antecipada, o presidente estadual do PT, Edinho Silva, listou conquistas da gestão Lula e afirmou que ¿o avanço¿ depende dos trabalhadores: ¿ O Brasil não pode retroceder, não pode concordar com o desmanche do Estado ou a submissão de seus interesses.
Outros líderes políticos, como do PMDB, foram mais objetivos: ¿ O PMDB está na chapa com Michel Temer. Temos um compromisso importante com a futura presidente Dilma que é consolidar nossas conquistas.
É nossa obrigação eleitoral.
Do outro lado tem um grupo armado para tirar as conquistas do trabalhador ¿ disse Washington Santos, presidente do PMDB Sindical.
Convidado a participar, o presidente Lula não compareceu. As centrais foram oficialmente reconhecidas pelo governo em 2008 e passaram a receber cerca de R$ 80 milhões do imposto sindical.
No manifesto político aprovado, as cinco centrais pregam o voto em candidatos comprometidos com os trabalhadores. Na ¿Agenda do Trabalhador¿, há propostas como o direito irrestrito de greve, inclusive para servidores públicos.