Título: Emoção e revolta ao retornar para casa
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Fonte: O Globo, 03/06/2010, O Mundo, p. 27

Ativistas detidos em Israel são deportados. Muitos denunciam maus-tratos

PALESTINO QUE acompanha o quimioterapia da esposa na Turquia também estava a bordo: emoção ao encontrar parentes

TEL AVIV. Em uma megaoperação, o governo de Israel acelerou ontem a deportação de todos os 682 ativistas que estavam a bordo do comboio humanitário atacado na segunda-feira. Ao todo, 124 pessoas de 12 países muçulmanos chegaram a Amã, na Jordânia, a bordo de cinco ônibus israelenses. Além deles, centenas de outros ativistas foram transportados de ônibus para o Aeroporto Internacional de Tel Aviv e, de lá, foram embarcados em cinco aviões com destino a Ancara e Istambul, na Turquia e à capital grega, Atenas.

Os ativistas foram recebidos com festa por uma multidão em Istambul. Entre os deportados estava a cineasta brasileira Iara Lee, que embarcou à noite em Tel Aviv. Segundo o Itamaraty, ela receberá assistência do cônsul-geral do Brasil, Michael Gepp, ao chegar à Turquia, mas ainda não se sabe se ela seguirá em direção ao Brasil ou Estados Unidos, onde reside.

¿Não nos deixaram usar o banheiro. Nossas mãos estavam amarradas¿

Em Glasgow, na Escócia, Norawah Hasan foi recebido pela família, tornando-se o primeiro ativista britânico a chegar ao Reino Unido. Pouco depois de serem deportados, muitos reclamavam do tratamento recebido de soldados israelenses. Na Jordânia, o argelino Ahmed Brahimi disse que, para se defender, eles usaram bastões contra os israelenses, mas foram forçados a se render e amarrados.

¿ Eles nos humilharam ¿ disse Brahimi.

Israel disse que os militares que embarcaram no Mavi Marmara atiraram em legítima defesa após serem agredidos, mas o argelino nega:

¿ Não estávamos armados. Não fomos até lá para lutar ¿ contou, afirmando ser coordenador do contingente da Argélia a bordo do comboio humanitário.

¿ Estávamos fazendo nossa oração da manhã quando os israelenses tentaram pela primeira vez entrar a bordo do navio. Durante a segunda operação, eles sequestraram o filho do capitão, e então nos vimos obrigados a nos entregar ¿ lembrou, acrescentando que seus pertences também foram levados pelos soldados:

¿ (Eles) tomaram nossos celulares, não nos deixaram usar o banheiro e nossas mãos estavam amarradas.

Ontem, Israel decidiu que os nove corpos dos ativistas mortos na ação seriam enviados à Turquia ¿ apesar de não terem sido concluídas as autópsias.

¿ O governo turco pediu, mas não sabemos ao certo se todos os mortos são turcos ¿ disse um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores israelense.

Inicialmente, Israel havia ameaçado processar alguns ativistas, mas ontem resolveu expulsar os integrantes dos seis navios da frota, de 38 países diferentes.

oglobo.com.br/mundo