Título: Setor aéreo: Jobim desqualifica estudo do Ipea
Autor:
Fonte: O Globo, 03/06/2010, Economia, p. 23
Ministro diz que instituto mentiu em levantamento que mostra pré-colapso de aeroportos Flávia Barbosa e Gustavo Paul
BRASÍLIA. Em tom áspero e visivelmente aborrecido, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, afirmou que é ¿desqualificável e desqualificado¿ o diagnóstico do setor aéreo divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) na segunda-feira. Jobim usou verbos fortes ¿ como mentir ¿ para classificar o que chamou de erros em uma série de citações e números divergentes em relação a dados da pasta. O Ipea informou que não comentaria as declarações.
¿ Os números são totalmente desqualificáveis, o trabalho é totalmente desqualificado. O Ministério encomendou ao BNDES via (consultoria) McKinsey um estudo sério da estrutura da aviação civil ¿ afirmou.
Parte da série Eixos do Desenvolvimento Brasileiro, o ¿Panorama e perspectivas para o transporte aéreo no Brasil e no mundo¿ do Ipea avalia a condição do sistema aeroportuário.
Entre os dados destacados está a situação de pré-colapso em dez aeroportos essenciais, como Brasília, Santos Dumont, Congonhas e Guarulhos. Os terminais estariam acomodando muito mais pousos e decolagens do que a capacidade original. Perguntado sobre esta constatação, Jobim partiu para o ataque, questionando a qualidade do estudo.
O ministro disse ainda que era defasada a apresentação da carga tributária do setor. Deteve-se na incidência do ICMS sobre leasing e peças e componentes de aeronaves. Segundo Jobim, a cobrança foi derrubada pelo Supremo Tribunal Federal, em decisão da qual ele participou quando integrava a Corte.
¿ Ou seja, este trabalho do Ipea, de 31 de maio de 2010, está atrasado em mais de 12 anos.
O investimento feito pela Infraero entre 2000 e 2007 também foi alvo de discórdia. O instituto diz que a estatal aplicou R$ 5,317 bilhões, sendo R$ 3,075 bilhões em infraestrutura aeroportuária.
¿ O Ipea informa que a Infraero investiu em infraestrutura aeroportuária de R$ 3 bilhões. A Infraero não fez este investimento.
Fez de R$ 4,7 bilhões. O Ipea mentiu em R$ 1,6 bilhão.
A despeito das críticas, as conclusões do estudo são semelhantes às do diagnóstico da Secretaria da Aviação Civil, em parceria do BNDES, que O GLOBO publicou terça-feira da semana passada. Pelo levantamento, dos 16 aeroportos nas cidades sedes da Copa, oito têm gargalos