Título: Ibope vê chance de decisão no 1º turno
Autor: Amorim, Silvia
Fonte: O Globo, 09/06/2010, O País, p. 12
Para presidente do instituto, Marina pode surpreender com ajuda da internet
SÃO PAULO. O presidente do Ibope, Carlos Augusto Montenegro, afirmou ontem que a eleição presidencial pode ser decidida ainda no primeiro turno, tanto em favor da candidata Dilma Rousseff (PT) quanto de José Serra (PSDB), que apresentaram empate, com 37% das intenções de voto cada, em pesquisa encomendada ao instituto pela Rede Globo e pelo jornal "O Estado de S.Paulo", divulgada semana passada. Na avaliação de Montenegro, a candidata do PV, a senadora Marina Silva, que apareceu com 9%, será decisiva para a realização de um segundo turno.
- Marina é uma boa candidata, uma pessoa diferente. Não sei se vai ter estrutura, tempo de TV, para chegar perto dos primeiros. Pode ser surpresa. Ela pode crescer com a ajuda da internet, da juventude, de uma série de coisas. Certamente vai ter papel importante, podendo levar a eleição para um segundo turno. Caso fique estacionada ou caia um pouco, as pessoas tendem a aplicar voto útil ou tentar resolver a eleição logo. Esta eleição pode sim ser decidida no primeiro turno, para um lado ou para o outro.
Voltando atrás em sua previsão de que Serra deveria ganhar no primeiro turno e que a candidata do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não passaria de 15% das intenções de voto, ele disse, em palestra para o Grupo de Líderes Empresariais (Lide), que dois terços do eleitorado já estão "radicalizados" e decididos entre Dilma e o ex-governador de São Paulo, mas um terço ainda não definiu o voto, o que só deve acontecer depois da Copa do Mundo.
- Um terço já se posicionou a favor da Dilma, um terço a favor do Serra, e acho que tem um terço, menos radical, mais tranquilo, que já votou no Fernando Henrique, já votou no Lula, que está atento a todos esses detalhes, a currículo, a postura, a carisma, credibilidade, propostas de governo, continuidade do governo. Esse pessoal vai decidir a eleição.
Montenegro, que declarou à revista "Veja" no fim de 2009 que o Brasil não elegeria um "poste" e que Lula não faria o sucessor, reformulou sua afirmação:
- Disse que ele (Lula) não elegeria um poste. Continuo achando. O que é eleger um poste? O Brasil, antes da reeleição, tinha mandatos de quatro anos - justificou. - A pessoa tem que mostrar preparo. Tem que mostrar liderança, programa de governo, que está preparada.
Ele disse que a petista ocupou um vazio que seria ocupado por qualquer candidato apoiado por Lula:
- Dilma está ocupando bem o espaço que estava vazio. Alguém ia ocupar, fosse a Dilma, fosse o Tarso Genro, fosse o Fernando Haddad, fosse qualquer candidato do presidente Lula.