Título: Festa do governo acaba em comício
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Fonte: O Globo, 17/06/2010, O País, p. 4

Governador pede apoio "a mulher guerreira" e plateia grita nome de Dilma

MANAUS. O anúncio de mais 3.511 unidades do programa Minha Casa, Minha Vida, em Manaus, transformou-se ontem num grande comício. Falando para cerca de 150 pessoas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez promessas, mas foi discreto em relação às eleições de outubro. Já o governador Omar Aziz (PMN), sem citar o nome de Dilma Rousseff, pediu apoio à candidata petista à Presidência ¿ responsável pelo Minha Casa, Minha Vida enquanto esteve no governo Lula. A plateia que reagiu com gritos de Dilma.

¿ Nós queremos, e o povo há de querer uma mulher guerreira que aprendemos a amar ¿ disse o governador, em seu discurso.

Lula pregou mudanças nas unidades do Minha Casa, Minha Vida. Para delírio da plateia, disse que os apartamentos do programa precisam ter ¿uma varandinha de pelo menos um metro quadrado¿, que, segundo ele, serviria de válvula de escape ¿quando o casal se desentendesse, e a mulher desse umas bordoadas no marido¿. Também disse que as casas precisam ter acabamento, muros e janelas maiores. Além de serviços públicos à disposição da comunidade, incluindo escolas, postos de saúde e saneamento básico.

¿ Ninguém está querendo fazer nada demais ¿ disse Lula.

O presidente pregou a continuidade, ao falar das conferências setoriais organizadas em seu governo: ¿ Chegamos a um nível que não temos o direito de jogar fora.

Não foi mérito do presidente.

Nós construímos juntos.

Lula voltou a atacar as greves, especialmente no serviço público, cujos dias parados não são descontados ou compesados.

O presidente lembrou que, no lançamento do Minha Casa, Minha Vida, os funcionários da Caixa, gestora do programa, entraram em greve. Na sua opinião, ¿de forma irresponsável¿. Lula também criticou servidores em greve que contratam pessoas para pôr faixas, soltar rojões e tocar vuvuzelas.

¿ Existem pessoas que acham que o Estado brasileiro deve existir e funcionar para atender as pessoas que trabalham para o Estado, e o povo que se dane. Quer ver o cara aprender a fazer greve é ele perder o dia. Fiz greves na minha vida e fiz as maiores, mas nunca aceitei que o trabalhador pedisse para eu reivindicar dias parados. Greve era guerra, não era férias. Se o cara faz greve, recebe o dia parado e o domingo, que diabo de greve é essa! ¿ discursou.

No final do evento, o presidente tirou fotos com os presentes e pôs um cocar de um índio ticuna. Um grupo de índios entregou a Lula um documento reivindicando moradias em Manaus. (Luiza Damé)