Título: A uma semana do encontro do G-20, China cede e diz que flexibilizará Yuan
Autor:
Fonte: O Globo, 20/06/2010, Economia, p. 29
Para Obama, `passo é construtivo¿. FMI e UE veem benefício para economia global
NOTAS DE yuan em banco da China: câmbio inalterado desde 2008
PEQUIM, WASHINGTON, BRUXELAS e SÃO PAULO. A uma semana da reunião do G-20 em Toronto, Canadá, o Banco Popular da China anunciou ontem que irá flexibilizar o yuan gradualmente, embora não tenha dado detalhes de como isso será feito. O anúncio é um claro sinal de que o país vai valorizar sua moeda, que desde julho de 2008 é mantida no mesmo patamar. Nos últimos meses, o governo chinês vem sofrendo pressões para apreciar o yuan, especialmente por parte dos EUA, que o acusam de distorcer o comércio mundial.
¿É desejável prosseguir adiante com a reforma no regime da taxa de câmbio RMB (renminbi, como também é chamado o yuan) e aumentar a flexibilidade da taxa¿, disse o Banco Popular da China, em comunicado.
Strauss-Kahn: medida elevará renda chinesa
A instituição chinesa justificou a decisão com o cenário positivo da economia mundial. ¿A economia global está se recuperando gradualmente. A retomada da economia chinesa se tornou mais sólida com a estabilidade econômica reforçada¿. A depreciação da moeda permite que as exportações chinesas se tornem mais competitivas, impulsionando a economia doméstica em tempos de crise.
O banco central chinês descartou, no entanto, a valorização única ou uma grande apreciação da moeda, dizendo que ¿não havia bases para grandes flutuações ou mudanças¿ na taxa de câmbio. Ainda assim, a medida foi bem recebida por líderes globais.
¿A decisão da China de aumentar a flexibilidade de sua taxa de câmbio é um passo construtivo que pode ajudar a garantir a recuperação e contribuir para uma economia mundial mais equilibrada¿, disse o presidente dos EUA, Barack Obama, em comunicado. O secretário do Tesouro americano, Timothy Geithner, pediu uma ¿implementação vigorosa¿ da medida e frisou sua ¿contribuição positiva para um crescimento global forte e equilibrado¿. Ele ponderou, no entanto, que o impacto do anúncio dependerá das medidas que serão adotadas posteriormente por Pequim.
A Comissão Europeia ¿ braço executivo da União Europeia ¿ também saudou a decisão. ¿Consideramos que tal mudança vai beneficiar tanto a economia da China quanto a economia global. A Comissão Europeia aguarda com expectativa para trabalhar estreitamente com as autoridades chinesas bilateralmente e no G-20 para enfrentar com êxito os desafios para a recuperação global¿, disse a comissão em nota.
E o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, destacou os benefícios para a economia chinesa. O yuan mais flexível vai ¿ajudar a aumentar a renda familiar chinesa e a fornecer incentivos necessários para reorientar os investimentos para as indústrias que atendem o consumidor chinês¿, disse Strauss-Kahn, em comunicado.
Para analista, impacto sobre economia será pequeno
Para analistas, será preciso aguardar um pouco mais para se ter certeza se o anúncio será suficiente para apaziguar os críticos do câmbio chinês. O yuan tem sido mantido a uma taxa de 6,83 por dólar há 23 meses, depois de uma valorização de 21% ante a moeda americana durante os três anos anteriores.
Para Marcelo Tomasoni, da corretora CM Capital Markets, o impacto da flexibilização da moeda chinesa deverá ser pequeno nos mercados mundiais.
¿ Tende a ser pequeno porque a sinalização é de uma variação muito pequena.
Arthur Carvalho Filho, economista-chefe da Ativa Corretora, disse que a notícia é positiva porque mostra comprometimento da China com a comunidade internacional. Mas avalia um impacto pouco significativo em relação ao real. O país asiático é o principal comprador da soja produzida no Brasil, além de ser o maior cliente da mineradora Vale.