Título: Ex-governador diz confiar na decisão do TSE
Autor: Bottari, Elenilce
Fonte: O Globo, 29/06/2010, O País, p. 3
Garotinho também ataca Cabral; convenção do PR está marcada para amanhã, último dia
Após o julgamento que confirmou sua inelegibilidade, o ex-governador Anthony Garotinho, que tenta ser candidato ao governo do estado pelo PR, disse que já esperava essa decisão do tribunal. Ele se disse, porém, confiante num parecer favorável do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a seu pedido de suspensão da decisão do TRE, o que, em tese, poderia permitir sua candidatura.
Em seu blog, o ex-governador afirmou que o processo do TRE "sofreu influências poderosas nos bastidores", acusando o governador Sérgio Cabral (PMDB), que tenta a reeleição, de interferência no caso.
"Não era um julgamento com base nas provas, que não existem, nem podem existir, porque nem eu nem Rosinha (Garotinho, prefeita de Campos, cassada na mesma decisão) fizemos nada de errado. Foi um julgamento político para atender interesses eleitorais. As impressões digitais de Sérgio Cabral são flagrantes", escreveu.
Rosinha e ele acompanharam o julgamento de ontem do apartamento do casal no Rio, no Flamengo. De lá, Rosinha partiria para Campos, para despachar hoje na prefeitura. Segundo a Secretaria de Comunicação do município, ela só deixará o cargo após a Câmara da cidade receber um comunicado oficial da Justiça Eleitoral sobre sua cassação. O TRE, no entanto, não informou prazo para esse trâmite.
Já Garotinho continua no Rio, acompanhando as movimentações de Brasília. E até amanhã, dia da convenção do PR no Rio , militantes que defendem o ex-governador programam manifestações contra a decisão do TRE no Rio.
Ontem, o grupo já fez um protesto, comandado pela vereadora Clarissa Garotinho (PR), filha do casal, em frente ao Tribunal, enquanto acontecia o julgamento. Jovens da Juventude Republicana gritavam palavras de ordem e carregavam faixas com mensagens como "Sem covardia. Queremos justiça". E, após divulgada a decisão dos juízes, saíram em passeata, com carro de som, pelas ruas do Centro, até a Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).
No caminho, eles fecharam duas faixas da Avenida Presidente Antônio Carlos, uma das principais da região. E ao chegarem à Alerj, fizeram ataques ao presidente da Casa, Jorge Picciani, candidato ao Senado pelo PMDB, e a Cabral. Clarissa não poupou críticas aos dois candidatos peemedebistas.
- Temos certeza de que Cabral e Picciani estão por trás disso tudo - afirmou ela. - É uma interferência no processo democrático. Aceitamos ganhar e perder. Mas no voto - continuou.
Cabral e Picciani, procurados, não quiseram comentar as acusações dos Garotinho.