Título: No futuro, riscos para infraestrutura do país e área social
Autor: Paul, Gustavo; Beck, Martha
Fonte: O Globo, 30/06/2010, Economia, p. 25
Traduzindo o economês As contas públicas são uma radiografia de como arrecadam e gastam os governos federal, estaduais e municipais e suas estatais e como equilibram as finanças.
Ficam expostos a velocidade de recolhimento dos impostos, as prioridades de desembolsos e a forma de o Estado se financiar, uma vez que a maioria dos países não cobre as despesas com o que entra no caixa.
Por isso um dos indicadores da saúde financeira de uma nação é a relação entre a dívida líquida do setor público (que exclui ativos) e o Produto Interno Bruto (PIB). No Brasil, ela tem longa trajetória de queda, apesar do soluço na crise global de 2008/2009. Mas o indicador de hoje é resultado da política implementada durante anos ¿ e por isso sua leitura isolada pode enganar.
Esta é a discussão hoje sobre as contas públicas. Para economistas, o Brasil confia demais na expansão do PIB, que fez explodir a arrecadação nos últimos anos e sustentou o avanço dos gastos, como os permanentes de pessoal. E sem reformas, continuam em alta o déficit do INSS e o descasamento da aposentadoria do servidor. Em vez de usar o dinheiro que jorrava para investir mais, diminuir impostos e fazer forte redução da dívida pública, a União criou despesas nos últimos anos. E muitas não podem ser cortadas, como reajustes ao funcionalismo e aposentados. Se no futuro o crescimento for abortado abruptamente, reduzindo receitas, haverá um arrocho em investimentos de infraestrutura e sociais e um salto na dívida, atingindo o PIB, empregos e renda.