Título: Injeção na Eletrobras será de R$4,8 bi
Autor: Paul, Gustavo; Doca, Geralda
Fonte: O Globo, 01/07/2010, Economia, p. 25
BRASÍLIA. Paralelamente ao aumento de capital da Petrobras, marcado para setembro, o governo federal promoverá a capitalização da Eletrobras, no montante de R$4,808 bilhões. O valor foi informado ontem pela estatal em comunicado ao mercado. O setor público vai aportar R$3,1 bilhões, sendo R$2,1 bilhões pela União (acionista majoritário) e R$1 bilhão pelo BNDES. Os minoritários devem entrar com cerca de R$1,7 bilhão.
O início formal do processo deverá ocorrer depois da Assembleia Geral Extraordinária (AGE) da empresa, a ser marcada. Segundo o diretor financeiro da estatal, Armando Casado, a operação deve levar de dois a três meses para ser concretizada e dependerá de decreto presidencial autorizando o aumento de capital. Estima-se na empresa que ela deve ocorrer em outubro, logo após a capitalização da Petrobras.
A equação foi montada para que União e BNDES acompanhem a capitalização sem desembolsar dinheiro ou emitir títulos, mantendo sua participação proporcional na Eletrobras. Hoje, a União tem 52% do capital votante, e o BNDES, 21%.
A capitalização será feita pela troca de crédito já existente da União por participação acionária. O governo cedeu à Eletrobras, há alguns anos, recursos para investimentos que não foram utilizados: os Adiantamentos para Futuro Aumento de Capital (Afacs). Parado no balanço da estatal, o dinheiro passou a ser corrigido pela Taxa Selic, a um custo anual em torno de R$500 milhões. Segundo Casado, o objetivo da capitalização será limpar o balanço da empresa e permitir o aumento do lucro. Mas, para o mercado, a ideia é dar mais fôlego para a Eletrobras investir, já que ela assumiu grandes obras como a usina de Belo Monte. (Gustavo Paul)