Título: PF investigará vazamento de dados
Autor: Camarotti, Gerson
Fonte: O Globo, 06/07/2010, O País, p. 4
Eduardo Jorge, do PSDB, teria sido vítima de quebra de sigilo em suposto dossiê
BRASÍLIA.A Polícia Federal (PF) abriu ontem inquérito para apurar o vazamento de dados fiscais e financeiros do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge Caldas. A polícia vai investigar três diferentes crimes: escuta telefônica clandestina, quebra de sigilo funcional e formação de quadrilha. A polícia decidiu fazer a investigação a pedido de representantes do PSDB e do PT. Segundo tucanos, os dados faziam parte de um suposto dossiê que estaria sendo preparado por integrantes da pré-campanha da ministra Dilma Roussef contra o adversário José Serra.
Líderes do PT rechaçaram as denúncias, acusaram o PSDB de partir para truculência e, para mostrar que não tinham nada a temer, pediram à PF para entrar no caso. Os dois partidos começaram a trocar acusações em torno do assunto após briga entre a equipe do jornalista Luiz Lanzetta, contratado para prestar serviços à pré-campanha de Dilma Rousseff, e o investigador particular Onézimo Sousa, delegado aposentado da PF. Depois da confusão, o contrato de Lanzetta com a campanha da ex-ministra foi rescindido.
Onézimo disse em depoimento à Comissão Mista de Controle de Atividades de Inteligência (CCAI) do Congresso Nacional que foi sondado por Lanzetta e o jornalista Amaury Ribeiro para fazer um levantamento de informações, inclusive com grampos telefônicos, contra Serra e o deputado Marcelo Itagiba (PDSB-RJ), entre outros tucanos.
A Receita Federal também abriu investigação
Amaury e Lanzetta negaram as acusações. Segundo eles, foi o delegado quem se ofereceu para fazer frente a dossiês que estariam sendo preparados por um suposto grupo de Itagiba. As trocas de acusações aumentaram ainda depois de a divulgação de dados fiscais de Eduardo Jorge pela "Folha de S. Paulo". Segundo o jornal, parte dos dados estava em poder de integrantes da pré-campanha de Dilma Rousseff. Para Eduardo Jorge, o vazamento teria partido de dentro da Receita Federal. Ele sustenta que os dados divulgados pelo jornal só estavam em dois documentos: a declaração prestada à Receita Federal e a cópia do material que mantém em seu poder. A Receita Federal também abriu investigação interna para apurar o caso.