Título: Mercado espera aperto maior dos juros
Autor: Carneiro, Lucianne ; Gomes, Wagner
Fonte: O Globo, 06/07/2010, Economia, p. 21
Projeção captada por pesquisa do BC aponta taxa básica a 12,13% no fim do ano
BRASÍLIA. Ante os sinais de temor do Banco Central (BC) nas últimas semanas com respeito à inflação, o mercado passou a esperar um ritmo maior de aumento da taxa básica de juros. Segundo a pesquisa semanal Focus, divulgada pela autoridade monetária ontem, os economistas consultados agora projetam a Selic a 12,13% ao ano no fim de 2010, de acordo com a mediana das estimativas. Nas duas semanas anteriores, as contas indicavam uma Selic - hoje em 10,25% ao ano - a 12% no fim do período.
O número atual mostra ainda que o mercado está dividido sobre o período que o aperto monetário vai durar. O consenso, que já dura várias semanas, é que nas próximas duas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom), em julho e em setembro, haverá mais duas altas de 0,75 ponto percentual cada. Em outubro, no encontro seguinte, o mercado espera que a subida fique só em 0,25 ponto. A discordância fica em dezembro, última reunião do Copom do ano, porque parte do mercado vê mais uma alta de 0,25 ponto e outra, estabilidade.
Na semana passada, o BC divulgou seu Relatório Trimestral de Inflação, deixando claro que a demanda doméstica aquecida é o principal motor da inflação agora. Por isso, o mercado entendeu que o aperto monetário, iniciado em abril, quando a Selic passou de 8,75% para 9,5% anuais, vai continuar. O objetivo é evitar que a inflação saia do controle e fique muito longe do centro da meta do governo, de 4,5% pelo IPCA. O mercado também manteve as estimativas sobre inflação neste ano, a 5,55% pelo IPCA, e no próximo, com 4,80%. Sobre o Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos no país), pela 16ª semana seguida, a projeção foi elevada, de 7,13% para 7,2% de crescimento. O BC projeta 7,3% de expansão.
Em apenas dois dias úteis, a balança comercial brasileira registrou um superávit de US$224 milhões na primeira semana de julho. As exportações totalizaram US$1.526 bilhão e as importações, US$1,302 bilhão. Com o resultado, há um saldo positivo acumulado no ano de US$8,111 bilhões, valor ainda abaixo do contabilizado no mesmo período de 2009: US$14,525 bilhões. Pela média diária exportada, que chegou a US$763 milhões na semana passada, houve um aumento de 24,1% em comparação a julho de 2009.