Título: PSOL pede impugnação de Roriz
Autor: Damasceno, Natanael; Galdo, Rafael
Fonte: O Globo, 09/07/2010, O País, p. 15
Candidato é citado na "Economist" em reportagem sobre a lei da Ficha Limpa
BRASÍLIA. O PSOL entrou ontem com um pedido de impedimento da candidatura de Joaquim Roriz (PSC) ao governo do Distrito Federal, argumentando que o ex-senador violou um dos artigos da Lei da Ficha Limpa. Roriz renunciou ao mandato de senador em 2007, para escapar de um processo no Conselho de Ética que poderia levar à sua cassação. A lei diz que são inelegíveis aqueles que renunciarem a seus mandatos após a apresentação de recurso capaz de gerar um processo por violação da Constituição.
Eleito em 2006, Roriz foi flagrado pela Polícia Civil e pelo Ministério Público em conversas telefônicas negociando uma suposta partilha de R$2,2 milhões com o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Tarcísio Franklin de Moura.
O autor do pedido de impugnação da candidatura de Roriz é o presidente do PSOL no DF, Antônio Carlos de Andrade, candidato ao governo local. A defesa de Roriz alega que a Lei da Ficha Limpa não pode valer para ele porque quando ele renunciou não havia nenhuma previsão legal de inelegibilidade.
Revista questiona alcance da Lei da Ficha Limpa
Em reportagem publicada ontem no site da revista inglesa "The Economist" sobre a influência da Lei da Ficha Limpa nas eleições deste ano, a renúncia de Roriz foi citada como um artifício a que políticos envolvidos em corrupção não terão mais acesso. Além de Roriz, a revista menciona o deputado federal Paulo Maluf (PP-SP) como exemplo de político que será alcançado pela lei. A revista lembra que Maluf é procurado pela Justiça americana, acusado de lavagem de dinheiro.
Com o título "Cleaning up - a campaign against corruption" ( "Faxina - uma campanha contra corrupção"), o texto lembra a estatística divulgada pelo site Congresso em Foco de que dos 513 deputados federais, 147 enfrentam ações criminais no Supremo Tribunal Federal, assim como 21 dos 81 senadores.
Segundo a "Economist", "o crime organizado tem várias formas no Brasil. Uma é a política - um negócio lucrativo". A revista questiona qual será o alcance da lei, lembrando que, com seis acusações judiciais mas sem condenação, o deputado Jader Barbalho (PMDB-PA) pode ficar livre para se candidatar.