Título: TSE alerta para cassações após eleição
Autor: Damé, Luiza; Fabrini, Fábio
Fonte: O Globo, 15/07/2010, O País, p. 10

Esse fenômeno pode ser intensificado pela lei da Ficha Limpa", diz Lewandowski, presidente do tribunal

BRASÍLIA.O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Ricardo Lewandowski, admitiu ontem que, com a Lei da Ficha Limpa, deve aumentar a quantidade de políticos cassados após eleitos. Com o número de ações de impugnação de candidaturas turbinado pelas novas normas de inelegibilidade, em vigor desde o mês passado, a Justiça deve ter dificuldade para apreciar todos os casos até o anúncio dos resultados.

Além de derrubar os eleitos em disputas majoritárias (presidente, governadores e senadores), as pendências podem alterar a composição de chapas vitoriosas para cargos proporcionais (deputados estaduais e federais), cujos votos teriam de ser recalculados. Para Lewandowski, a perda de mandato após o pleito já fazia parte da rotina dos tribunais:

- Existem candidaturas que estão sub judice e, mesmo após as eleições, o mandato é cassado. Isso é absolutamente normal e esse fenômeno pode ser intensificado pela lei da Ficha Limpa.

Até ontem, o Ministério Público Federal em 24 estados e Distrito Federal havia apresentado 2.320 ações de impugnação, mais de 300 motivadas pela nova lei. O número deve crescer, pois a Procuradoria da República de São Paulo ainda não anunciou a lista de impugnáveis. Somam-se à pilha de processos os questionamentos apresentados por entidades da sociedade civil, partidos e candidatos. Embora o TSE não informe o total de ações em eleições anteriores, o balanço parcial de alguns estados já evidencia a sobrecarga. É o caso de Minas, onde o número de casos levantados pelo MP saltou de 113 (2006) para 614. No Rio, foram de 25 para 34.

Apesar de prever mais pendências para o pós-eleições, Lewandowski ponderou que a maioria dos casos poderá ser resolvida com celeridade, pois as côrtes superiores decidem com base na jurisprudência.

- O que pode, de certa maneira, tranquilizar a todos que acompanham essas impugnações é que, no momento em que o TSE e o Supremo Tribunal Federal estabelecerem certos paradigmas ou chegarem ao um consenso em relação às teses, os processos serão julgados rapidamente - explicou, acrescentando que, nas suas contas, entre 10% e 15% das candidaturas serão questionadas.

Até ontem, nenhum pedido para cancelar o registro de presidenciáveis foi apresentado. Os tribunais regionais eleitorais têm até 5 de agosto para decidir sobre as ações de impugnação, mas, diante da avalanche de questionamentos, alguns já têm o prazo como uma meta complicada. O TSE deve dar resposta a recursos dos candidatos até o dia 19 do mesmo mês.

O sistema do tribunal superior, que agrega informações dos estados, lista 26 candidatos a governador ameaçados de impugnação, entre eles Roseana Sarney (PMDB-MA), acusada de abuso de poder econômico; Mauro Mendes Ferreira (PSB-MT) e Wilson Santos (PSDB-MT), questionados por suposta falta de quitação eleitoral; Marconi Perillo (PSDB-GO) e Ana Júlia Carepa (PT-AP). A participação no pleito de 42 concorrentes ao Senado estava sub judice. É o caso de Renan Calheiros (PMDB-AL), Fátima Cleide (PT-RO) e Demóstenes Torres (DEM-GO). Também havia 307 candidatos a deputado federal, 1.010 a deputado estadual e 17 de vice-governador ameaçados.

MP Eleitoral do Rio desiste de ação de impugnação

O MP Eleitoral do Rio requereu ontem a desistência de ação de impugnação contra o candidato Adolpho Konder Homem de Carvalho Filho. O nome que constava na lista do TCU era na verdade do pai do candidato, que não pôde se defender à época por ter falecido de doença degenerativa.