Título: Seguros de plataformas devem subir 15% a 20%
Autor: Berlinck, Deborah; Ordoñez, Ramona
Fonte: O Globo, 17/07/2010, Economia, p. 27
Acidente elevou percepção de risco
Três meses após o acidente envolvendo a plataforma Deep Horizon da BP, no Golfo do México, a indústria de seguros já refaz os cálculos do valor do prêmio que será cobrado das petrolíferas quando da renovação de contratos. Empresas do setor esperam, em média, aumentos de 15% a 20% não só em seguros de plataformas como de equipamentos usados na exploração ou na produção de petróleo em águas profundas, inclusive no Brasil.
- O mercado está tentando forçar aumento nos prêmios de 15% a 20%, mesmo para petrolíferas com bom desempenho e que não têm relação com o acidente - diz Maria Helena Carboni, diretora de Marine (área que inclui atividades em alto-mar) da americana Aon, a maior corretora de seguros do mundo. - A percepção de risco aumentou e é inevitável um impacto sobre a indústria de seguros.
Estima-se que o acidente tenha causado danos diretos avaliados em US$1,4 bilhão, dos quais US$600 milhões deverão ser arcados pelo mercado segurador britânico Lloyd"s. Os prejuízos indiretos são estimados em US$1 bilhão a US$3,5 bilhões.
Paul Conolly, diretor de Marine da Liberty International Underwriters (LIU), a divisão de grandes riscos da também americana Liberty Seguros, lembra que essas estimativas podem ser revistas para cima nos próximos meses, com a temporada de furacões do Hemisfério Norte, que tende a agravar as consequências do vazamento de óleo.
Na sua avaliação, o prêmio dos seguros de plataformas de águas profundas pode subir até 50%. Mas, para ele, apesar de no Brasil a maior parte da exploração ser em alto-mar, a tendência é que as altas fiquem na média de mercado, de 15% a 20%.
- O Brasil vive um momento único. Além da expansão econômica, o setor está se abrindo agora (o monopólio estatal de resseguros acabou há cerca de dois anos e meio). Por isso, as empresas tendem a cobrar menos para ganhar participação de mercado.