Título: O PT tem uma gula infinita, diz Serra
Autor: Jungblut, Cristiane; Braga, Isabel
Fonte: O Globo, 23/07/2010, O País, p. 16

Em entrevista à TV Brasil, tucano afirma que Dilma "perderia disparado em termos de más companhias"

BRASÍLIA. O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, atacou sua principal adversária, a petista Dilma Rousseff, e seus aliados, ao ser confrontado sobre o constrangimento de o PSDB no Distrito Federal apoiar o candidato ao governo local, Joaquim Roriz (PSC), que pode perder o registro eleitoral por causa da Lei da Ficha Limpa. Irritado, Serra disse que Dilma venceria disparado uma disputa sobre quem tem mais aliados-problema.

Serra criticou mais uma vez o loteamento dos cargos públicos e acusou o PT de ter uma gula infinita por cargos.

As declarações foram dadas em entrevista ao programa 3 a 1 da emissora pública EBC (Empresa Brasil de Comunicação), que foi ao ar ontem à noite pela TV Brasil. Anteontem, foi exibida a entrevista com Dilma.

E hoje será a vez de Marina Silva (PV), a única dos três que aceitou fazer ao vivo. A seguir, trechos da entrevista:

MÁS COMPANHIAS: Todo mundo que vem comigo sabe como me comporto. Até porque não faço segredo. Agora, é um pouco difícil a gente ficar comparando quem tem quem (no palanque). Num torneio, a candidata do governo perde disparado em matéria de más companhias.

LOTEAMENTO DE CARGOS: Não ficaria entregando o Estado a aparelhos. Isso depende de como o governo se comporta, da gula dos partidos.

O PT tem uma gula infinita para controlar tudo. Outros partidos também têm. Mas tem que ter um contrapeso.

Essa visão de que é um mal necessário é cúmplice do Estado atual, que em matéria de corrupção deixa muito a desejar, basta ver a mobilização em torno do Ficha Limpa. Para que um deputado quer controlar a diretoria financeira de uma empresa? Por vocação, para o bem público? Não, para pegar dinheiro.

CONGRESSO FRACO: Não havia necessidade, para ter essa maioria toda, de fazer esse processo de pôr de joelhos o Estado. O governo Lula é forte pelo prestígio enorme do presidente, no Congresso é fraco. Vira e mexe, perde. Cada votação, tem que recuperar a maioria. Como acostumaram, você precisa dar uma coisa a mais.

ABORTO: No que depender de iniciativa do Executivo, não proporei mudanças na lei atual. Ficará como está. (O SUS dá assistência àquela que praticou o aborto). Coisa que eu fiz quando era ministro, porque aborto, em caso de estupro, não tinha tratamento nenhum.

Tinha na lei, desde 42, e nunca se fez nada. Então, montamos um sistema de saúde para isso. Fui muito atacado, de Herodes, disso e daquilo, mas não mexeria na lei atual.

UNIÃO ENTRE HOMOSSEXUAIS: Isso virou um xodó das entrevistas. É um assunto em que o Estado não entra, é um problema das pessoas.

Agora, cada crença tem sua orientação (...) O Estado não se intromete se duas pessoas querem viver juntas, ter herança, isso e aquilo, não é uma questão do Estado.

BOLÍVIA/COCAÍNA: O preço da cocaína baixou 50 vezes nas últimas décadas. É isso que está inundando o Brasil.

Ela entra, impossível controlar o consumo interno. O Brasil está fazendo estrada na Bolívia, praticamente doando. Deveria pressionar para que o governo boliviano não fosse cúmplice, com vista grossa.

IRÃ/DITADURAS: Não faria carinho nas ditaduras sanguinárias, como aquela do (Mahmoud) Ahmadinejad, que apedreja mulher adúltera.

(...) O Brasil está bem projetado internacionalmente, o Lula contribuiu para isso, mas falta defesa de mercado.

OPOSIÇÃO: Sou candidato não da oposição, sou candidato do pode mais e do dá para fazer mais. É a gente pegar o bastão onde está e melhorar mais ainda.

ECONOMIA: A situação atual está muito boa. O instantâneo é bom, o problema é o filme. O dever de um governante é antecipar os problemas.

(Com) A economia crescendo, é preciso que o gasto público cresça menos.

Esse tripé (câmbio flutuante, responsabilidade fiscal e metas de inflação) que o governo Lula seguiu veio do governo Fernando Henrique, copiadinho idêntico.