Título: Capitalização do BNDES fez a dívida crescer R$ 115 bi só no 1o- semestre
Autor: Beck, Martha
Fonte: O Globo, 23/07/2010, Economia, p. 32
A boa notícia é que caiu o volume de papéis corrigidos pela Taxa Selic
BRASÍLIA. A dívida pública federal cresceu nada menos que R$ 115,02 bilhões (ou 7,7%) no primeiro semestre de 2010. O estoque saltou de R$ 1,497 trilhão em dezembro de 2009 para R$ 1,612 trilhão em junho deste ano. O principal fator responsável por esse aumento foi a emissão de títulos públicos para capitalizar o BNDES, em R$ 80 bilhões.
Apesar de analistas afirmarem que a injeção de recursos do Tesouro no banco de fomento é negativa pois o governo capta recursos no mercado a uma taxa maior do que a paga pela instituição em retorno os técnicos do governo afirmam que a capitalização não prejudicou a gestão da dívida. Segundo o coordenador de Operações da Dívida Pública, José Franco de Morais, o plano anual de financiamento feito pelo Tesouro para 2010 já foi feito considerando a ajuda financeira ao BNDES: A gestão da dívida está em linha com o que foi estabelecido no plano de financiamento.
Em junho, a dívida teve uma pequena redução (0,12% ou R$ 2,01 bilhões) e fechou o mês em R$ 1,612 trilhão. Embora o Tesouro tenha feito um resgate líquido de papéis no valor de R$ 15,84 bilhões no período, os juros que corrigem o estoque somaram R$ 13,83 bilhões e anularam parcialmente o movimento de queda.
Papéis prefixados voltaram a crescer em junho O perfil da dívida melhorou em junho. A parcela do estoque corrigida por papéis prefixados que é mais vantajosa para o governo subiu de 32,34% em maio para 33,85% no mês passado. Isso porque houve uma emissão líquida de R$ 18,62 bilhões desses títulos no período. Os prefixados permitem que o Tesouro saiba antecipadamente quanto terá que pagar de retorno aos investidores, o que dá uma maior previsibilidade sobre os vencimentos.
Os papéis remunerados pela taxa Selic tiveram uma redução em junho, passando de 33,61% para 31,57% no período. A participação dos títulos indexados a índices de preços subiu levemente, de 27,23% para 27,71% na mesma comparação.
De acordo com o relatório do Tesouro divulgado ontem, o custo médio da dívida acumulado nos últimos 12 meses apresentou uma pequena queda de 0,03 ponto percentual passando de 10,42% ao ano em maio para 10,39% ao ano em junho. Isso ocorreu devido à queda nos índices de preços que corrigem parte do estoque.
Ainda segundo o documento, a maior parte da dívida continua vencendo no curto prazo (em até 12 meses): 25,86% do total.
Segundo o estrategista de investimentos para a América Latina do Banco WestLB, Roberto Padovani, a injeção de recursos do Tesouro no BNDES também é problemática porque o governo aumentou a dívida para dar mais poder de fogo a um banco público. Para ele, o que precisa ser feito é um incentivo ao setor privado para que ele financie grandes obras. Por isso, Padovani afirmou que a iniciativa da equipe econômica de reduzir a tributação de debêntures que estejam associadas a projetos de infraestrutura é positiva.
Não é preciso aumentar o uso de bancos públicos na economia disse ele.