Título: Bancos já projetam um freio na alta de juros
Autor: Beck, Marta ; Duarte, Patrícia
Fonte: O Globo, 23/07/2010, Economia, p. 34
Para Itaú, taxa pode ficar em 10,75% até o fim do ano. Fazenda gostou da decisão do BC de subir só 0,5 ponto
SÃO PAULO e BRASÍLIA. A decisão do Copom de aumentar a Selic em 0,5 ponto percentual, quando a maioria dos analistas esperava 0,75 ponto, levou os grandes bancos de varejo a apostar numa redução do ritmo de elevação da taxa ou até mesmo no fim do aperto monetário nas próximas reuniões.
É o caso do Itaú Unibanco, que em relatório distribuído ontem a clientes diz que o cenário mais provável é de manutenção da Selic em 10,75% até o fim do ano principalmente se os dados correntes continuarem a mostrar desaquecimento e inflação baixa.
O Santander também reviu suas projeções. Antes, esperava que a Selic chegasse a 12,75% neste ano; agora, vê como teto a faixa de 12,25%.
Para a reunião de setembro, passou a trabalhar com projeção de alta de 0,50 ponto, mas ressalta que existe grande chance de o mercado estimar uma variação menor de 0,25 ponto. Para o Bradesco, houve um reconhecimento de que a economia brasileira apresenta sinais de acomodação, o que tornaria desnecessário um aperto monetário maior.
O Banco Central (BC) avalia que os sinais de acomodação da inflação são fortes e devem continuar, pelo menos a curto prazo. Entre outros motivos, a autoridade monetária leva em consideração a inflação de serviços em queda, o que ocorreu em junho, e o fato de o IPCA indicador oficial e que serve como meta do governo estar abaixo de 5% quando se olha 12 meses à frente. Este cenário deve se repetir, inclusive, em julho.
Lula diz que confia em Henrique Meirelles No cenário externo, ajuda o fato de os riscos vindos da Europa terem ficado significativamente menores. Além disso, há uma mudança de perspectiva para o crescimento da economia americana, mais moderado. Portanto, a avaliação é que o cenário externo não pressionará a inflação global, ajudando no controle dos preços internamente.
O que o mercado estranhou é que no Relatório Trimestral de Inflação divulgado no fim de junho, o BC indicava que o risco de inflação ainda continuava forte.
Em entrevista à Rede Record, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou a alta de 0,5 ponto na Selic: Quando alguém pergunta para mim: O juro está alto? Eu pergunto: Meu Deus do céu, quando eu cheguei aqui esse juro estava em quase 26%. Ele está bem menos do que estava naquela época, e eu acho que ele pode cair mais. Mas para ele cair mais, nós precisamos estabilizar mais a economia e garantir o fim da cultura inflacionária no Brasil disse. E arrematou: Eu tenho confiança no Banco Central, tenho confiança no (Henrique) Meirelles, e acho que ele tem que ter autonomia para tomar as decisões corretas. E nesses oito anos, a verdade é que acertamos mais que erramos.
Consultoria também alterou projeção para a taxa Para o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, a decisão do Copom mostra que a economia, e principalmente a inflação, não terá a aceleração projetada pelo mercado.
Para os técnicos do Ministério da Fazenda, a decisão do Copom de elevar a taxa Selic em 0,5 ponto foi um reconhecimento de que a economia não está superaquecida.
A equipe do ministro Guido Mantega defende que não há razão para novas elevações da Selic pois, embora a atividade tenha sido forte no início de 2009, já se acomodou.
A consultoria LCA também mudou suas projeções, a partir da decisão do Copom. A consultoria esperava mais duas elevações (de 0,75 ponto e de 0,5 ponto), no total de 1,25 ponto.
Agora, vê espaço para duas altas de 0,5 ponto cada. Já na Tendências, o consenso é de que a decisão de subir a taxa em 0,50 ponto foi prematura.