Título: Presidente eleito cala, mas não consente
Autor: Eichenberg, Fernando
Fonte: O Globo, 23/07/2010, O Mundo, p. 37
Apesar de evitar entrar no conflito, colombiano Juan Manuel Santos se esforça para melhorar relações com Caracas CIDADE DO MÉXICO e BOGOTÁ.
Enquanto Caracas e Bogotá se acusam mutuamente, os olhos da comunidade internacional se voltam à Cidade do México, onde, a 15 dias de sua posse, encontra-se o presidente eleito colombiano, Juan Manuel Santos.
Santos, que começou ontem um périplo pessoal por mais de seis países da América Latina para estreitar laços com líderes da região antes de assumir a Presidência, negou-se a comentar a decisão do venezuelano Hugo Chávez de romper relações com a Colômbia.
A melhor contribuição é não nos pronunciarmos disse Santos, após se reunir separadamente com o presidente Felipe Calderón e com o escritor Gabriel García Márquez
Santos nomeou ministros que Uribe desaprova No entanto, no Equador, seu vice, Angelino Garzón, comentou a crise: Faremos todo o possível e buscaremos os mecanismos diplomáticos para fortalecer as relações com os países da região, incluindo a Venezuela.
Professor da Universidade do Rosario, em Bogotá, o cientista político e ex-comandante do Exército colombiano, Manuel Bonnet Locarno, disse ao GLOBO que Santos deve ficar quieto até o dia 7: Por duas razões: ele deve a conquista da Presidência ao Uribe (que deixa o governo com 70% de popularidade) e porque ele já disse que quer governar de uma outra forma.
Recentemente, os pontos de discórdia entre Uribe e Santos seu ex-ministro da Defesa vêm aflorando. O principal deles diz respeito às relações que a Colômbia deve manter com a Venezuela que, apesar de ter orientação política divergente, foi um importante parceiro comercial até o último ano.
Além de já ter afirmado que pretende melhorar as relações com Caracas, Santos nomeou dois ministros que indicariam a direção que quer seguir: a chanceler María Ángela Holguín, que já foi embaixadora em Caracas e defende o fim do isolamento da Colômbia na região, e o ministro da Agricultura, Juan Camilo Restrepo, que tem um projeto de integrar o país com o Equador e a Venezuela.
Os dois são desafetos de Álvaro Uribe.
Na Colômbia, começam a surgir vozes que acusam Uribe de boicotar os esforços de Santos antes mesmo que tome posse. O ex-presidente Ernesto Samper, inimigo político de Santos, afirmou que Uribe está criando obstáculos aos primeiros passos do novo presidente.
Dentre os passos, havia o convite a Chávez para a posse de Santos, que foi recusado.
Resta saber se os esforços do novo governo serão suficientes para retomar as relações entre os dois países