Título: América Latina e África são alvos da Oi
Autor: Rosa, Bruno
Fonte: O Globo, 29/07/2010, Economia, p. 23

Diretor diz que empresa "será caçador por aquisições". BNDES apoia

SÃO PAULO e LISBOA. O diretor Financeiro da Oi, Alexandre Zornig, disse ontem que a entrada da Portugal Telecom (PT) deve favorecer a expansão internacional da empresa. Em teleconferência com investidores e analistas, ele disse que o negócio cria uma plataforma para expansão internacional em mercados emergentes, principalmente América Latina e África.

- A Oi será um caçador interessante por aquisições. Uma aliança entre o grupo Oi e a PT cria uma plataforma ímpar para o crescimento internacional, principalmente na América Latina e na África - disse Zornig.

O conselho de administração da PT, no entanto, ainda não decidiu onde vai utilizar a diferença entre o montante obtido com a venda da Vivo ( 7,5 bilhões) e o que gastará com a compra de 22,4% da Oi ( 3,75 bilhões), afirmou o presidente executivo da PT, Zeinal Bava. Ele garantiu apenas que a PT "vai continuar a ter uma presença estratégica forte no Brasil".

Zornig confirmou que o acordo com a PT permitirá uma capitalização de até R$12 bilhões. Com os recursos, a companhia pretende desenvolver um projeto de telecomunicações de projeção global. O caixa adicional também vai ajudar a empresa a continuar investindo em banda larga e telefonia móvel.

- A operação permitirá à Oi ampliar sua capacidade de investimento e de expansão nacional e internacional, mantendo o controle da empresa em mãos brasileiras - reforçou Pedro Jereissati, presidente da Telemar Participações.

Para a analista-chefe da AtivaCorretora de Valores, Luciana Leocádio, os recursos que serão aplicados pela PT devem ajudar a Oi a reduzir o seu endividamento, de cerca de R$21 bilhões. Segundo ela, a operação, no entanto, pode prejudicar os acionistas minoritários, que terão de se capitalizar para manter a mesma participação acionária.

Já o BNDES divulgou ontem nota afirmando que considera positiva a aliança da Oi com a PT, que garante os "pressupostos da reestruturação societária apoiada pelo BNDES em 2008". "A empresa", diz a nota, "continuará a ser uma companhia de telecomunicações com controle brasileiro, capaz de competir com eficiência no país e ocupar espaços também no mercado internacional". Além disso, o BNDES ressalta que "o acordo abre caminho para a internacionalização da companhia, um dos objetivos de seu plano de negócios, e melhora sua estrutura de capital, permitindo a continuidade e expansão de seus investimentos".