Título: De patinho feio a um objeto de desejo
Autor: Rosa, Bruno
Fonte: O Globo, 29/07/2010, Economia, p. 23

A Oi, que começou como o patinho feio da privatização da telefonia, há 12 anos, virou cisne. Depois de assumir o papel da supertele verde-amarela imaginada pelo governo Lula, ela se tornou o objeto de desejo da Portugal Telecom, para manter a presença portuguesa no mercado brasileiro.

Em julho de 1998, no leilão de privatização do Sistema Telebrás, o consórcio Telemar levou a Tele Norte Leste. O consórcio era formado por Andrade Gutierrez (de Sérgio Andrade), La Fonte (de Carlos Jereissati), Inepar (grupo paranaense de infraestrutura), Macal (do empresário Antônio Dias Leite Neto e da GP, de Jorge Paulo Lemann), fundos de pensão e as seguradoras Brasil Veículos e Aliança do Brasil, ambas com participação do Banco do Brasil.

A Tele Norte Leste ¿ que logo depois virou Telemar e, mais tarde, Oi ¿ era formada pela Telerj e outras 15 companhias de Sudeste e Nordeste.

Vieram à tona conversas sobre articulações para o leilão, que haviam sido grampeadas. Nelas, o então ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros, referiu-se ao consórcio como ¿telegangue¿. Soube-se que o consórcio fora articulado pelo governo apenas para fazer número, mas, por um imprevisto, saiu vencedor. A empresa foi socorrida pelo BNDES, que ficou com 25% da empresa.

Mais tarde, a Telemar expandiu seus serviços para telefonia móvel, com a Oi (que em 2006 virou o nome do grupo), e para longa distância nacional e internacional. Também entrou no acesso à internet com o Velox.

Em abril de 2008, a Oi fechou a compra da Brasil Telecom (BrT), operação essencial para a criação da supertele nacional, defendida pelo governo Lula. O objetivo de ter uma supertele nacional seria, além de fazer frente à presença de estrangeiras ¿ Telefónica e Telecom Italia ¿, possibilitar que uma tele brasileira operasse em outros países.

O problema é que, apesar de a Agência National de Telecomunicações (Anatel) ter limpado o caminho para a supertele, os acionistas minoritários da BrT sempre rejeitaram, nas assembleias, a relação de troca de ações entre as duas empresas. A última vez foi no mês passado. A Oi analisava fazer uma nova proposta.