Título: Gol apresenta plano de contingência à Anac
Autor: Doca, Geralda; Rosa, Bruno
Fonte: O Globo, 04/08/2010, Economia, p. 27
Empresa colocará aviões da antiga Varig nas rotas normais, enquanto órgão regulador fiscalizará as escalas
BRASÍLIA, RIO e SÃO PAULO. Convocada pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), que segundo o sindicato falhou em apurar queixas, a Gol apresentou ontem ao órgão regulador um plano de contingência para atender aos passageiros prejudicados por atrasos e cancelamentos de voos. A empresa se comprometeu a pôr em operação, imediatamente, cinco aviões Boeing 767 nas rotas domésticas e internacionais.
A Gol confirmou no encontro que faltou pessoal para fechar as escalas, prejudicando os voos. E a Anac afirmou que sabia dos testes com o novo software, o que deflagrou o problema. Com capacidade para 230 pessoas, os aviões 767 são da antiga Varig e foram reativados pela Gol em pacotes, sobretudo para o Caribe, o que teria sobrecarregado os funcionários. A frota atual da empresa é configurada para de 140 a 178 passageiros.
A Gol também enviará à Anac relatórios semanais sobre a quantidade de horas voadas pelos tripulantes. Atualmente, o órgão não considera esse quesito para autorizar voos. Além disso, a Gol vai configurar o sistema de escalas de agosto nos mesmos parâmetros usados até julho, a fim de evitar a repetição de panes. Os problemas começaram no fim de semana com a implantação de uma atualização. A companhia perdeu o controle da carga horária dos funcionários, limitada por lei a 85 horas mensais.
Maior índice de atrasos foi em São Luís: 52,6% Em nota, a Anac informou ter enviado inspetores para acompanhar o planejamento da escala.
Foi uma resposta à denúncia do Sindicato dos Aeronautas, formulada a partir de 520 queixas sobre várias companhias enviadas à Ouvidoria da Anac na segunda quinzena de julho. Graziella Baggio, dirigente da entidade, disse que a Anac não faz inspeções periódicas e não mostra transparência na apuração das denúncias, que hoje só podem ser feitas pela internet.
Em nota, a Gol afirmou que continua trabalhando para normalizar a situação de seus voos.
E disse que o relatório da Infraero mostra melhora em seu índice de pontualidade, com 24 voos domésticos e dois internacionais registrando atraso superior a 15 minutos respectivamente, 4,4% e 3,3% do total de operações previstas até as 20h.
Ontem, quase 20% dos voos domésticos atrasaram. Dos 2.009 programados, 375 tiveram mais de meia hora de atraso. Outros 77 (ou 3,8%) foram cancelados.
Segundo dados da Infraero, a Gol foi responsável por 36,7% dos atrasos e 7,4% dos cancelamentos até as 20h de ontem. Apenas 4,5% dos voos da TAM saíram 30 minutos após o previsto.
O Aeroporto de São Luís teve a maior proporção de atrasos: 52,6%. Em Congonhas, 19% dos voos atrasaram, e em Guarulhos, 20,5%. No Aeroporto Internacional Tom Jobim, foram 30,7%.
O ator Francisco de Assis Lopes de Souza e o contador Paulo Cesar Campos, que vinham de Fortaleza, perderam o dia de trabalho. Seu voo, que deveria chegar ao Rio às 13h, só pousou depois das 15h. No Juizado Especial do Tom Jobim, eles abriram um processo contra a Gol.
A Gol não justificou o atraso e, na hora do acordo, só ofereceu o almoço e o táxi. Perdi o dia de trabalho disse Souza.
Os candidatos à Presidência José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV) usaram o caos aéreo para criticar a política federal para o setor. Serra defendeu punição para as empresas e rebateu Dilma Rousseff (PT), que culpou os governos anteriores: Oito anos são suficientes para reformar todos os aeroportos com os pés nas costas.
Já Marina criticou o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e disse que é preciso investir no setor aéreo e implantar um marco regulatório.