Título: Eu não preciso de Lexotan, diz Dilma sobre debate
Autor: Lima, Maria; Camarotti, Gerson
Fonte: O Globo, 04/08/2010, O País, p. 14

Carregar o governo Lula é tarefa leve. O outro governo que é muito pesado"

BRASÍLIA. Testes de estresse com temas delicados, aulas extras com ex-colegas ministros e sessões de ioga fazem parte do intenso treinamento da candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, para enfrentar seu primeiro embate direto com os adversários José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV) no debate de amanhã, na Band. Tudo está sendo feito para que Dilma, de temperamento até bem pouco tempo atrás explosivo, continue enquadrada no figurino da serenidade, com voz amainada e sem perder o controle. Ela disse ontem que não aceitará provocações, e que o tucano é que precisará de tomar Lexotan para defender o governo do qual fez parte.

Vocês acreditam que debate é um torneio de provocações? Eu não. Para mim o debate é um momento de cada um prestar contas do que fez, porque só palavra não adianta nada. Tem que mostrar o que fez disse Dilma.

Indagada se tomaria Lexotan para ficar mais calma durante o debate, ela disse que seu adversário é que vai precisar: Eu vou te dizer uma coisa: eu não preciso de Lexotan! Carregar um governo como o do presidente Lula é uma tarefa leve. O outro governo que é muito pesado. Eles (Serra) é que vão precisar de vários Lexotans.

O presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, lembrou que um candidato massacrar o outro em debates nem sempre é entendido pelo eleitor como uma coisa positiva.

Nos últimos dias, coordenadores do PT e integrantes da campanha fizeram uma avaliação dos pontos vulneráveis da candidata.

Identificaram que Serra iria explorar a relação do governo Lula com o governo do Irã, que não respeita os direitos humanos.

Foi por isso que o presidente Lula fez publicamente a proposta de asilo à iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani, sentenciada à morte por apedrejamento após ser condenada por adultério. O seu objetivo foi fazer uma vacina eleitoral para Dilma.