Título: Disputa ainda precisa empolgar
Autor: Amorim, Silvia; Roxo, Sérgio
Fonte: O Globo, 05/08/2010, O País, p. 10

A falta de uma agenda de discussão e a dificuldade para mobilizar a atenção dos eleitores impuseram um ritmo lento ao primeiro mês de campanha dos candidatos à Presidência.

Na opinião de especialistas, neste primeiro momento, disputas internas levaram à substituição da apresentação de propostas pelos ataques.

Serra e Dilma estão acertando os rumos da campanha. A petista está tentando acertar sua agenda de forma a fugir do radicalismo. Já Serra enfrenta uma série de divergências entre seus aliados país afora que está deixando a campanha sem rumo diz David Fleischer, da UnB. Ele lembrou das dificuldades enfrentadas pelo tucano para ter apoio dos aliados e atribuiu a esses problemas a oscilação entre as críticas ao governo e os ataques à Dilma e ao PT.

Este debate de amanhã (hoje) pode ser decisivo para o Serra, pois logo depois haverá novas pesquisas. E se o candidato não se sair bem nessas pesquisas, essas divergências podem aumentar nos estados.

Ricardo Ismael, professor da PUC-Rio, também diz que a campanha vai começar de fato a partir do debate entre os candidatos na TV. Ele acredita que só agora será determinado o tom da disputa: A campanha no Brasil depende da TV. Jornais, revistas e internet não chegam à maior parte da população. As pessoas de baixa renda dependem da TV. E como a TV não havia entrado na disputa, a campanha ficou morna.

Ismael lembra ainda que o mês de julho não favoreceu os candidatos: É um mês de férias e, além disso, estávamos em um período de rescaldo da Copa. Os candidatos encontraram dificuldade de mobilizar a atenção.

Alessandra Aldé, professora da Uerj, tem uma visão semelhante à de Ismael.

De acordo com a pesquisadora, a maioria do eleitorado ainda não viu o debate eleitoral como o tema da vez. Mas, segundo ela, a campanha eleitoral este ano pode continuar morna mesmo depois de chegar à TV.

Está será uma campanha morna pela sua conjuntura. É uma campanha de continuidade. Os candidatos têm se pautado muito pelas pesquisas de popularidade do governo Lula. Com isso, os discursos de Serra e Dilma têm se mostrado bastante conservadores. Acho ainda que quem tem mais espaço para criar é a Marina.

A candidata menos viável é a que tem mais chance de divergir, pois ela tem menos a perder. Mas, de modo geral, não acho que esta será uma campanha muito emocional. Esta será uma campanha muito racional. O que pode mudar esse quadro é o interesse do eleitor, que vai aumentar com o início da campanha na TV.