Título: Dia de protestos pela vida de Sakineh
Autor: Damé, Luiza; Gois, Chico de
Fonte: O Globo, 11/08/2010, O Mundo, p. 32

Manifestações em 20 cidades europeias tentam evitar execução de iraniana

Correspondente

Enquanto o governo de Teerã insiste em manter a sentença de morte de Sakineh Ashtiani, uma viúva iraniana de 43 anos condenada por adultério, uma série de manifestações ocorreu ontem em cerca de 20 cidades europeias de Londres a Estocolmo tentando evitar sua execução.

Em Colônia, na Alemanha, centenas de ativistas iranianos tomaram a praça da catedral numa grande manifestação de protesto. Segundo Mina Ahadi, diretora do Comitê Internacional contra a Pena de Morte e o Apedrejamento, havia o temor de que Sakineh fosse executada hoje porque quarta-feira é o dia tradicional das execuções no Irã.

Esse dia é chamado no Irã de quarta-feira negra, porque há 20 anos em todas as quartas são executados prisioneiros afirmou Ahadi.

Depois de um dia de suspense, ela conseguiu, porém, falar ontem à noite com o novo advogado de Sakineh, Hotan Kian, que informou ter recebido uma carta convidando-o a comparecer no sábado à Justiça em Teerã. Em Tabriz, onde Sakineh está presa, o clima alterna entre o desespero e a esperança. O convite para a visita do advogado no sábado poderia significar que o prazo para a confirmação ou suspensão da sentença de morte contra Sakineh aumentou de uma semana, conforme fora antes anunciado, para uma semana e meia.

Isso pode significar que a oferta de asilo político do Brasil está sendo analisada pelo regime. Mas não devemos nos iludir muito porque o regime islâmico é arbitrário. Por outro lado, pode muito bem estar preparando em silêncio a execução. Devemos nos preparar para tudo afirmou Mina ao GLOBO pouco depois da manifestação.

Sakineh foi condenada à morte por apedrejamento.

Entretanto, depois do inicio dos protestos internacionais contra essa forma bárbara e medieval de execução, as autoridades iranianas argumentaram que a iraniana fora condenada não só por adultério, mas também porque teria participado de um complô para o assassinato do seu marido, há cinco anos. E a pena de morte por apedrejamento foi transformada em enforcamento. A defesa nega ambas as acusações, mas, há uma semana, um tribunal iraniano recusou-se a reabrir o processo contra Sakineh, transferindo o caso para a Suprema Corte, que deveria confirmar a sentença hoje ou amanhã.

Mina Ahadi disse que os filhos de Sakineh pararam de fornecer qualquer informação à imprensa após serem ameaçados pela Justiça. Depois que o primeiro advogado de Sakineh, Mohammad Mostafei, foi ameaçado e teve de fugir do país, Hotan Kian, que já defendeu muitos perseguidos do regime, resolveu evitar contatos com a imprensa para não prejudicar sua cliente.

Ontem, o Comitê contra a Pena de Morte e o Apedrejamento divulgou uma carta de duas irmãs, de 20 e 17 anos, filhas de uma mulher que há um ano foi executada no Irã, suplicando pela libertação de Sakineh.